Sunday, June 17, 2012

mixtape número cento e dezassete

  • Beach House - Lazuli
  • Dirty Three - Some Summers They Drop Like Flys
  • The Flaming Lips - Yoshimi Battles the Pink Robots, Pt.1
  • Neutral Milk Hotel - Oh Comely
  • The Rapture - In the Grace of Your Love
  • Spiritualized - Come Together
  • Wilco - Impossible Germany
  • Yo La Tengo - Mr. Tough

13bly

Saturday, June 16, 2012

Optimus Primavera Sound 2012 - Dia 2 (08/06/2012)


Fotografias 1,2 e 3 © Hugo Lima | Fotografia 4 © Paige K. Parsons

O céu limpo, o sol brilhante e as temperaturas elevadas (mas não exageradas) deixavam antever que o segundo dia do Primavera teria uma história diferente do primeiro. Bom, talvez o alinhamento extraordinário de bandas em praticamente todos os palcos também tenha tido alguma coisa a ver com isso. Mas adiante, este era o Dia D do Primavera e, por incrível que pareça, as minhas elevadas expectativas não saíram defraudadas. A única coisa "má" a apontar é que, depois de uma quantidade abusiva de grandes concertos quase sem tempos livres se chega ao final da noite absolutamente estourado. Comecemos então pelo início.

É difícil desmentir que os Linda Martini dão excelentes concertos e que são uma das bandas nacionais que melhor se encaixam num Primavera Sound ('cá dentro' ou 'lá fora', como se provou em Barcelona na semana antes da edição portuense). Apesar de todos esses atractivos, para poupar energias para o resto da noite, optei por vê-los ao longe, enquanto aproveitava o sol e a relva (ainda verdejante) do Parque da Cidade. Daí rumei ao palco ATP onde onde os Tall Firs iriam inaugurar o espaço. Esta dupla nova iorquina, num registo mais suave, fez lembrar Thurston Moore - uma referência que não é de todo descabida visto que estes são editados pela Ecstatic Peace!, a editora do ex-Sonic Youth. Esta foi a banda sonora perfeita para continuar deitado ao sol sobre uma relva fresquinha como quem faz fotossíntese e carregava as baterias para a noite intensa que se avizinhava - afinal, daí a nada, os Yo La Tengo iriam iniciar um dos maiores e melhores encadeamentos de concertos de que há memória num festival (essa sequência incrível de concertos só viria a terminar aí pelas 3:30 da manhã com M83/Thee Oh Sees).

Resultado dalgum estranho cruzamento entre uns Belle & Sebastian e uns Sonic Youth, os Yo La Tengo conseguem reunir simultâneamente a doçura melódica dos primeiros e a distorção sem regras dos segundos. Se ao longo do concerto ainda ficou alguém por convencer em relação à afirmação anterior (mesmo com Mr. Tough, Autumn Sweater e Sugarcube como amostras), no final - depois dos intensos 20 minutos de Pass the Hatchet, I Think I'm Goodkind seguidos pela delicada My Little Corner of the World - isso deve ter ficado bem claro. Apesar de ser o meu segundo concerto da banda, ainda não foi desta que consegui ouvir You Can Have It All, mas se até o Wayne Coyne e o Steve Drozd (dos Flaming Lips) gostaram, quem sou eu para me queixar desse pormenor insignificante.

Foi com algum desgosto da minha parte que abdiquei de Rufus Wainwright para ir jantar - é esse o preço a pagar por tantos e tão bons concertos. Foi pena, até porque, dos bocados que vi, deu para perceber que estava a ser um excelente espectáculo e que Rufus estava satisfeito. Ainda assim não se perdeu tudo e ainda deu para ouvir a Hallelujah enquanto me posicionava em frente do palco vizinho como bom fanboy dos Flaming Lips. Enfim, dentro de poucos minutos já nada disso teria importância pois eu iria estar totalmente absorvido pela exuberância da banda de Oklahoma. Quanto a estes, a dúvida que muitos levantavam era se, num espectáculo de música, há lugar para confettis, balões, lasers, jovens tirolesas e acessórios diversos. A resposta - dou-a eu - é "Sim, se esse espectáculo for dos Flaming Lips.". A excentricidade visual é indissociável da banda Wayne Coyne e da música que esta produz pelo que, no universo psicadélico dos Flaming Lips, esses excessos circenses fazem todo o sentido. Resumindo: FINALMENTE VI OS FLAMING LIPS(!!) e foi um dos concertos da minha vida!

Sem tempo para deixar o coração descompassado abrandar (ainda batia forte da festa que foi a Race for the Prize e Do You Realize?), era a hora de mudar mais uma vez de palco. O destino era agora o palco Optimus onde os Wilco teriam a difícil tarefa de suceder aos Flaming Lips. Qual campeã olímpica de salto em altura, a banda de Jeff Tweedy nem deu pela fasquia elevadíssima e atacou desde logo o coração dos melómanos presentes. Com um alinhamento baseado no mais recente Whole Love (mas ao qual não faltaram clássicos como Impossible Germany, Via Chicago e, claro está, Jesus, Etc.), esta banda de Chicago deu um dos melhores concertos do festival (mérito acrescido por não precisarem de confettis e outras parafernálias). Sem espinhas mesmo.

No fim de Wilco fui estrear o palco Club pois, embora até já os tivesse visto era nesse palco que actuavam os Beach House. Graças ao enorme hype que acompanha o duo de Baltimore (merecido, diga-se), não fui o único a ignorar os Walkmen e assistiu-se, no Primavera, a um autêntico êxodo rural no sentido da grande tenda alcatroada, erigida como um oásis de urbanidade no meio da paisagem campestre do Parque da Cidade. Foram, então, milhares as pessoas que encheram, em minutos, aquele espaço que, rapidamente, se tornou pequeno demais. O poder do hype foi tanto e tão grande que, apesar de todos os grandes concertos deste festival, o único momento em que me senti apertado foi no meio da fofura e do embalo de um concerto dos Beach House. Tanto Victoria Legrand como o seu companheiro Alex Scally (aqui com a ajuda de um baterista) provaram estar em boa forma, pena que apenas tenham tocado temas de Teen Dream e, claro está, do novíssimo Bloom. Mais um grande concerto a somar à já extensa lista do Primavera.



Ao fim de Beach House já só pensava na cama (e não, não tem nada a ver com a Victoria). Ainda saltei entre a electrónica de M83 no palco Optimus e a electricidade dos Thee Oh Sees no ATP mas, apesar de me estarem ambos a parecer bons espectáculos (cada um no seu género, claro), nem um nem outro me conseguiram recarregar baterias. Lá me consegui aguentar até ao grandioso final de M83 e fui para 'casa' descansar.

O dia seguinte não prometia tanto como este que agora acabava (nem as coisas viriam a correr tão bem) mas verdade seja dita: dificilmente poderia ser tão bom e, sejamos realistas, nada é tão perfeito assim.

13bly

Friday, June 15, 2012

avulso - a whiter shade of pale

avulso (latim avulsus, -a, -um, separado, arrancado)
adj.
isolado, solto, desconexo, desirmanado.

A WHITER SHADE OF PALE | Vila Real de Santo António | Maio de 2012
13bly

Thursday, June 14, 2012

Optimus Primavera Sound 2012 - Dia 1 (07/06/2012)


Fotografias © Hugo Lima

O primeiro dia de Primavera, ainda sem os palcos ATP e Club, viria a ser uma espécie de boas-vindas para os festivaleiros. Sem sobreposição de espectáculos, este foi o dia menos intenso (curiosamente tanto em horários como em espectáculos). Com mais descontracção, foi então possível desfrutar das mantas que a Optimus simpaticamente distribuiu e conhecer melhor o recinto. Essa familiarização com o espaço revelou-se crucial para que, nos dias seguintes e sob a pressão de não perder os concertos que mais queremos ver, não se andasse 'perdido'.

Fragilizado logo à partida com o cancelamento dos Explosions in the Sky, este dia foi pautada por espectáculos mornos. Ainda durante a tarde, foram os StopEstra! quem abriu o festival com um espectáculo curioso mas não mais do que isso (cerca de 100 músicos em palco é, no mínimo, invulgar). De seguida o espanhol Bigott deu um espectáculo sem brilho, mas que lá conseguiu sacar um pézinho de dança ao público com a orelhuda Cannibal Dinner e mesmo a sonoridade atmosférica de Atlas Sound (projecto a solo de Bradford Cox) se revelou pouco regular brilhando nalguns momentos e arrastando-se noutros. Já ao início da noite, foi Yann Tiersen quem deu o primeiro bom concerto do festival. Ainda assim, tomando como comparação um outro espectáculo do galês (na Casa das Artes de Famalicão), posso afirmar que o espaço aberto não favoreceu nada o galês e, não pude deixar de me sentir um pouco desiludido.

Depois de saltar à frente The Drums para jantar, fiquei com pena de não ter prolongado a refeição por mais uma hora. Os Suede deram um concerto que achei francamente aborrecido e sem chama, mas estou certo que haverá por aí muita boa gente disposta a discordar de mim. Nesta noite de aquecimento só mesmo os ritmos fortes dos The Rapture, muito enérgicos em palco, foram capazes de tirar o público do sério e contagia-los com o bichinho da dança. Antes deles, também os veteranos Mercury Rev deram um concerto bem acima da média sagrando-se, para mim, como uma das surpresas/revelações do festival.



Resta-me acrescentar que, tenho cá para mim, este relato seria bem mais emocionado caso os Explosions in the Sky não tivessem cancelado a sua actuação. Mas paciência, afinal o melhor ainda estava para vir e fica sempre no ar a possibilidade de estes gigantes do post-rock agendarem uma nova visita aos palcos portugueses em breve.

13bly

Wednesday, June 13, 2012

Optimus Primavera Sound 2012

Há cada vez menos festivais de música onde é a música que realmente importa e não apenas um pretexto para outros excessos. Quanto a isso o Primavera Sound é excepção. Assumindo-se como um festival 'alternativo', multifacetado e internacional (contabilizaram-se entre 70-80% de estrangeiros entre os festivaleiros), o Primavera atrai um público mais exigente e os seus cartazes estão sempre virados para o que de melhor se passa no mundo da música. A abundância de coisas boas espalhadas por vários palcos é uma das características do festival e leva a algumas sobreposições cruciais. É portanto, necessário fazerem-se escolhas - algumas delas realmente dolorosas - mas isso, de certo modo, faz parte do carisma deste festival.

Este Primavera não foi um festival perfeito, mas a verdade é que pouco lhe faltou. O tempo nem sempre esteve favorável - o vento estragava o som de alguns concertos e a chuva fez questão de assombrar o terceiro dia - mas, o único ponto negativo relevante que posso apontar à organização é a fila absurdamente longa e lenta que se formou para levantar bilhetes para o último dia de festival. Esse último dia seria dedicado a concertos em ambiente fechado e com lotação limitada pelo que era necessário garantir entrada no dia anterior. Na minha opinião (e na de qualquer pessoa minimamente inteligente), 4 horas fila (agravadas pela chuva insistente) não são admissíveis num evento desta dimensão. É sem dúvida um ponto a melhorar.

Antes de me virar para os concertos propriamente ditos deixo três agradecimentos principais: o primeiro dirijo-o à Ritmos - o promotor português do festival - pela ousadia de trazer para o Porto um dos melhores festivais do mundo; o segundo, vai para a comissão espanhola do festival por ter apostado na Invicta para expandir o Primavera e por fim, last but not least, agradeço à Câmara Municipal do Porto por ter deixado transformar o Parque da Cidade num dos melhores e mais bonitos recintos de festival de sempre (acreditem ou não mas, mesmo ali no coração da cidade, rivaliza com a beleza bucólica de Paredes de Coura).




É certo que esta edição portuense - a primeira investida do Primavera além-fronteiras -, não tem (ainda) a versatilidade e força do seu homónimo de Barcelona, mas este foi sem dúvida um excelente primeiro passo que só augura coisas boas para as próximas edições - com o sucesso estrondoso desta edição, já está, aliás, confirmada a edição de 2013.

13bly