Wednesday, July 25, 2012

Fado Desconcertado - António Zambujo @ Casa da Música (21/07/2012)


A iniciativa Verão na Casa (da Música) tem sempre propostas interessantes. Algumas vêm do estrangeiro, mas outras têm as raízes bem assentes neste nosso modesto cantinho. No Sábado passado, por exemplo, o protagonista da noite foi um alentejano de gema que é, diga-se de passagem, uma das minhas paixões musicais mais recentes.

Com tanto de fado como de bossa nova e tanto de jazz como de cante alentejano, não me atrevo a tentar catalogar a música de António Zambujo. Ainda assim quase me apetecia dizer que ele é uma 'nova promessa' da música portuguesa, mas com 5 discos editados e um sucesso tremendo além-fronteiras, essa não parece ser uma observação pertinente. Enfim, cheguei tarde ao seu universo, mas mais vale tarde do que nunca. Desconhecedor da popularidade de Zambujo, foi com alguma surpresa (e muito agrado) que encontrei a Sala Suggia praticamente lotada (incluindo camarotes e lugares de coro). Foi então, perante esse bonito cenário de casa cheia, que António Zambujo e os seus 4 companheiros (Bernardo Cruz, Jon Luz, José Miguel Conde e Ricardo Cruz) apresentaram simpaticamente Quinto - o seu novo disco e seguramente um dos meus favoritos do ano.

Foram duas horas de pura magia nas quais Zambujo, com aquela simplicidade típica de um bom alentejano, conquistou o coração de mais de 1200 pessoas. Nem adianta falar no tom reconfortante das suas músicas, do tom quente de Flagrante, da nostalgia da Rua dos Meus Ciúmes, da melancolia de Lambreta ou do bom humor de Reader's Digest ou de Queria Conhecer-te Um Dia... *suspiro* Que belíssimo serão!

13bly

Monday, July 23, 2012

mixtape número cento e vinte e dois

  • Cat Power - Naked If I Want To
  • The Cure - Boys Don't Cry (acoustic)
  • Deerhunter - Nothing Ever Happened
  • Iron & Wine - Trouble
  • James Blake - Unluck
  • Marvin Gaye - Inner City Blues (Make Me Wanna Holler)
  • Spiritualized - Freedom
  • Twin Shadow - Patient

13bly

Saturday, July 21, 2012

XXXVII Fotograma - The Artist



No cinema, tal como nas outras artes (moda, música etc.), a tendência é o revivalismo. Tanto assim é que, no ano passado, quase todos os Oscars 'principais' foram entregues a um filme mudo 'a la' anos 20. Agora que espetei a 'facada' inicial vou deitar um bocadinho de água na fervura: The Artist é bom, muito bom mesmo. Michel Hazanavicius (o realizador) conseguiu a admirável proeza de fazer uma intensa declaração de amor ao cinema e, em simultâneo, uma dura crítica ao mesmo (embora essa crítica seja mais direccionada à indústria do que à arte em si). De realçar que The Artist consegue tudo isso sem recorrer condescendências imaturas ou sem deixar de ser divertido. E depois, claro, há o adorável cãozinho que torna todo o filme (ainda mais) irresistível.

Uma boa parte das coisas que nascem de um sentimento exacerbado de nostalgia parece derivar de uma terrível falta de originalidade, mas The Artist não sofre desse mal. Porquê? Porque para a história que este filme se propõe a contar, toda a estética de 'filme-mudo-a-preto-e-branco' é essencial e não uma gimmick. O início do fim do cinema mudo, a revolução que o som representou e o impacto que isso causou na indústria cinematográfica só poderia mesmo ser contada desta forma.

É curioso que, aproximadamente 90 anos depois dos acontecimentos narrados em The Artist, a indústria se encontre num impasse similar relativamente às novas tecnologias. Afinal, tal como aconteceu com a introdução do som nos anos 20, também a técnica desenvolvida por James Cameron para Avatar 'ameaça' transformar para sempre o cinema tal como o conhecemos.

13bly

Wednesday, July 18, 2012

Chegou a banda sonora do Verão


B Fachada é tudo menos consensual. O polémico músico lisboeta tem tantos "haters" como "lovers" e, felizmente, posso dizer que me enquadro no grupo dos que gostam do tipo. Acho-lhe piada e consigo, quase sempre, descortinar algo de genial e de provocador nas suas músicas. Para além disso respeito imenso a coragem e vontade que ele tem de, sucessivamente, fazer coisas diferentes em vez de esgotar uma fórmula de sucesso.

Habituado a lançar dois discos por ano, um na época quente e outra na fria, B Fachada tem em Criôlo - assim se chama o álbum - o seu disco do Verão de 2012. "Disco de Verão" é mesmo a melhor forma para descrever este trabalho. Apoiado nos ritmos quentes de África, este álbum é tão refrescante como caloroso - a mistura perfeita para esta estação escaldante. Criôlo cheira mesmo a calor, a festas na praia e a danças tropicais e tem, acima de tudo, a dose certa de foleirada da boa - essencial em qualquer Verão divertido. Digo-o já aqui, este vai ser provavelmente um dos meus maiores guilty-pleasures do ano. Agora, com licença, vou só ali dançar a afro-xula e já venho.

13bly

Tuesday, July 17, 2012

Se Deus tivesse um mp3... [34]

... de certeza que esta música estaria lá!


You taste so bitter and so sweet
Oh I could drink a case of you, darling
And I would still be on my feet.
James Blake - A Case of You
(a Joni Mitchell que me perdoe)
13bly