Friday, July 8, 2011

Lixo

lixo
s. m.
1. Qualquer matéria ou coisa que repugna por estar suja ou que se deita fora por não ter utilidade;
2. Resíduo resultante de actividades domésticas, comerciais, industriais, etc., e que se deita fora.;
3. Local ou recipiente onde se acumulam esses resíduos ou matérias;
4. [Figurado] Escória, ralé.


Filmado e editado por Matthew Brown | Música de Max Richter

13bly

Wednesday, July 6, 2011

avulso - Saturdays and Space Travels

avulso (latim avulsus, -a, -um, separado, arrancado)
adj.
isolado, solto, desconexo, desirmanado.
Black Bombaim
Contexto - Serralves em Festa
Local - Fundação de Serralves
Data - 28 Mai 2011
13bly

Tuesday, July 5, 2011

Admirável caixinha de ritmos - Bobby McFerrin @ Pav. Multiusos (03-07-2011)


No âmbito de Guimarães 2012 - Capital Europeia da Cultura, o Pavilhão Multiusos de Guimarães recebeu no passado Domingo o enormíssimo talento de Bobby McFerrin - uma verdadeira lenda viva que nunca pensei sequer ver ao vivo. Sim, é aquele castiço do Don't Worry, Be Happy - um tema cujo sucesso é ainda hoje tão grande que quase condena McFerrin a um dos mais injustos rótulos one-hit wonder de que já vi.


Com um domínio de voz quase sobre-humano, Bobby McFerrin é um verdadeiro génio musical e, sem precisar de recorrer a palavras é também um mestre comunicador. Um espectáculo de Bobby McFerrin transcende então qualquer patamar de um 'simples' concerto de música, é uma experiência humana na qual a barreira entre o artista e o público se torna difusa. Sem qualquer tipo de cenário, jogo de luzes ou instrumentos - Bobby McFerrin apenas se serviu de uma cadeira e um microfonoe - a intimidade é notável. Para além disso, uma vez que todos são convidados a participar, quase se pode dizer que não há espectadores e que McFerrin 'apenas' assume o papel de intermediário, de maestro de uma enorme orquestra humana. Aliás, para além de fomentar a participação da plateia, Bobby convidou mesmo vários elementos do público a partilhar o palco com ele, ora para cantar ao desafio, ora para dançar, ora para incorporar um coro improvisado dirigido por ele.

O estilo de Bobby McFerrin é uma espécie de beat-box melódico mas com uma flexibilidade tal que num só espectáculo foi capaz de tocar/cantar blues e música clássica, belas baladas como Blackbird e Over the Rainbow e temas mais acelerados e carregados de soul como Drive ou ainda cânticos tribais africanos e gospel carregado de sentimento... Um sem número de facetas distintas, todas elas igualmente impressionantes na forma com que Bobby McFerrin controla a sua voz. Apesar de todo este talento e versatilidade, em vez de dar um concerto para o público, Bobby McFerrin dá um concerto em conjunto com este. Dessa forma o palco transforma-se num espaço de partilha e o público, esse tão sorridente quanto o próprio Bobby, mostra-se ávido por participar e dar o seu contributo para uma noite memorável.

Obrigado Bobby por um dos espectáculos mais marcantes a que já assisti! Até uma próxima oportunidade!

13bly

P.S. - Já fiz e refiz este post umas três vezes e não consigo colocar em palavras o que realmente quero dizer acerca deste concerto marcante. Fica então um vídeo com um dos melhores momentos do concerto que deverá deixar qualquer um elucidado acerca do que perdeu.

Monday, July 4, 2011

Quem o viu e quem o vê - Foge Foge Bandido @ Casa da Artes (02-07-2011)


Manel Cruz é um dos nomes mais incontornáveis na história da música contemporânea portuguesa. Foge Foge Bandido é o seu último projecto e O Amor Dá-me Tesão/Não Fui Eu Que Estraguei - o álbum duplo que lançou em 2008 - é sem dúvida uma das obras musicais mais singulares do nosso panorama musical. Poucas vezes um músico abriu a sua alma de uma forma tão íntima e pessoal como Manel Cruz o fez com este trabalho.

Foge Foge Bandido é o valioso fruto de uma mente irrequieta e uma verdadeira obra de autor. Apesar de tudo isto, os espectáculos a que tinha assistido ficavam sempre aquém que seria de esperar.



Em Santa Maria da Feira, logo após o lançamento do disco, assisti cheio de expectativas ao primeiro concerto deste projecto - levei um grande banho de água fria. Este é um projecto difícil de transpor para o palco e se há coisa que ficou clara nesse concerto foi que o espectáculo ainda não estava pronto para ser apresentado. Uns meses mais tarde, em Paredes de Coura e já sem grandes expectativas, assisti a um novo concerto. Dessa vez já a máquina tinha sofrido algumas afinações - a banda acolheu mais elementos e o alinhamento sofreu algumas mudanças. Resultado - o espectáculo foi mais coerente mas ainda assim nada de excepcional.

Dizem que à terceira é de vez e, fazendo fé na sabedoria popular decidi dar ao bandido a tal terceira oportunidade para me convencer ao vivo. Terceira e última, diga-se de passagem - estes são os últimos concertos que Manel Cruz irá dar como Foge Foge Bandido.


Num espectáculo que ultrapassou a barreira das duas horas e que teve direito a dois encores o tempo chegou para tudo: de beincadeiras a capella a experimentalismos desvairados e um pequeno improviso, de rockalhadas à antiga até às baladas fatalistas, de Manel Cruz no papel de crooner a Manel Cruz como pastor baptista...

É perfeitamente natural que, com o passar do tempo e depois muito experimentar, as coisas vão melhorando. Ainda assim a diferença abismal deste concerto quando comparado com os outros que havia visto foi uma surpresa. Tudo mudou! Muito mais à vontade em palco e com boa disposição q.b., Manel Cruz e os seus companheiros visitaram quase todos os momentos de O Amor Dá-me Tesão/Não Fui Eu Que Estraguei que valia a pena visitar. As samples quase desapareceram dando origem a sons tocados ao vivo (até gravações de voz foram declamadas); as músicas levam uma roupagem mais rock (que surpresa aquela versão de Borboleta); perdem muito do experimentalismo que se viu em demasia nos primeiros espectáculos e, em vez de parecerem perdidos e ultra-concentrados ou a 'fazer frete', os músicos divertem-se realmente em palco. Em suma foi tudo melhor, muito melhor! E isso fazia-se sentir com entusiásticos aplausos.

É caso para dizer: quem te viu e quem te vê. Agora sim, Manel. Agora sim!

13bly

Sunday, July 3, 2011