
Sunday, December 18, 2011
Thursday, December 15, 2011
avulso - run over the sun, under the water
avulso (latim avulsus, -a, -um, separado, arrancado)
adj.
isolado, solto, desconexo, desirmanado.

Afonso Cabral dos You Can't Win, Charlie Brown
Contexto - Café Concerto
Local - C.C. Vila Flor, Guimarães
Data - 26 Nov 2011
13bly
Contexto - Café Concerto
Local - C.C. Vila Flor, Guimarães
Data - 26 Nov 2011
Wednesday, December 14, 2011
Sem praticar habilidades - B Fachada @ CCVF, Guimarães (09/11/2011)
Com 5 anos de carreira às costas, B Fachada começa a ganhar visibilidade. Considerado como o 'novo trovador português', Bernardo (nome próprio) foi já comparado a alguns dos grandes nomes 'do seu campo'. Falo por exemplo de Sérgio Godinho (com quem já tocou e a quem dedica um tema) e até José Mário Branco (Deus, Pátria e Família - o EP deste mesmo ano foi equiparado ao histórico F.M.I.). Apesar de lisonjeiras, B Fachada parece quase fugir dessas comparações procurando assumir uma identidade própria e reinventando-se a cada trabalho editado.
Confesso que a princípio não ia muito à bola com B Fachada. O tema Zé! foi o meu primeiro contacto com o músico de Cascais e não o consegui levar a sério. Apesar de tudo, com o tempo estranheza venceu-me e a sua música acabou por se entranhar. Desde então acompanho de perto o seu percurso mas, surpreendentemente, ainda não o tinha apanhado em palco. Ainda antes do anuncio do disco novo já eu tinha o bilhete para os concertos na Culturgest do Porto. "É desta!" pensava eu mas por motivos profissionais acabei por não conseguir assistir a nenhum desses concertos, tive de adiar esse encontro por mais uns dias. Por sorte o espectáculo no C.C. Vila Flor teria um formato em tudo idêntico ao da Culturgest (piano solo) e, apesar da sala não ter metade do encanto, viria a ser um belíssimo prémio de consolação.

O acabadinho de sair, B Fachada II (assim baptizado por mim seguindo a linha daquilo que se fez com os Led Zeppelin) é o disco mais intimista que Fachada já produziu e daí esta série de concertos ao piano. A iluminação fixa e de baixa intensidade combinada com a ausência de qualquer adereço em palco (para além de um elegante piano de cauda e do respectivo banco), faz com que nada desvie a atenção do músico e da sua música - aquilo que afinal realmente interessa. Música sem espinhas, sem fachadas, artifícios ou habilidades.
Visivelmente bem humorado e divertido com o espectáculo, para além de quase todos os temas do álbum novo, Bernardo tocou ainda a incrível e muito polémica Deus, Pátria e Família dando-lhe, ao vivo, um tom ainda mais irónico e provocador. Terminado o épico de 20 minutos o espectáculo estava na recta final com tempo apenas para duas rápidas passagens por É P'ra Meninos (o disco 'infantil' de 2010) e uma por B Fachada I (2009) - Só te Falta Seres Mulher como foi o tema de encerramento. Alguns minutos de incessantes aplausos depois, B Fachada acaba por voltar a palco para interpretar Os 2 no Polibã, um dos dois temas novos que faltavam (por tocar ficou apenas Mané-Mané que, sendo canção de guitarra com batidas electrónicas, não encaixava neste concerto).
B Fachada já tinha mostrado coragem e ousadia q.b. ao prometer dois discos por ano (e cumprir sem reciclar ideias). Ao apresentar-se ao vivo num formato que lhe expõe todas as fragilidades Fachada reforça essa ideia. Um esforço meritório que, nenhum fã pode negar, compensou largamente o risco e acabou por transformar todas as potenciais fraquezas em pontos fortes inabaláveis. Um concerto a recordar.
Confesso que a princípio não ia muito à bola com B Fachada. O tema Zé! foi o meu primeiro contacto com o músico de Cascais e não o consegui levar a sério. Apesar de tudo, com o tempo estranheza venceu-me e a sua música acabou por se entranhar. Desde então acompanho de perto o seu percurso mas, surpreendentemente, ainda não o tinha apanhado em palco. Ainda antes do anuncio do disco novo já eu tinha o bilhete para os concertos na Culturgest do Porto. "É desta!" pensava eu mas por motivos profissionais acabei por não conseguir assistir a nenhum desses concertos, tive de adiar esse encontro por mais uns dias. Por sorte o espectáculo no C.C. Vila Flor teria um formato em tudo idêntico ao da Culturgest (piano solo) e, apesar da sala não ter metade do encanto, viria a ser um belíssimo prémio de consolação.

O acabadinho de sair, B Fachada II (assim baptizado por mim seguindo a linha daquilo que se fez com os Led Zeppelin) é o disco mais intimista que Fachada já produziu e daí esta série de concertos ao piano. A iluminação fixa e de baixa intensidade combinada com a ausência de qualquer adereço em palco (para além de um elegante piano de cauda e do respectivo banco), faz com que nada desvie a atenção do músico e da sua música - aquilo que afinal realmente interessa. Música sem espinhas, sem fachadas, artifícios ou habilidades.
Visivelmente bem humorado e divertido com o espectáculo, para além de quase todos os temas do álbum novo, Bernardo tocou ainda a incrível e muito polémica Deus, Pátria e Família dando-lhe, ao vivo, um tom ainda mais irónico e provocador. Terminado o épico de 20 minutos o espectáculo estava na recta final com tempo apenas para duas rápidas passagens por É P'ra Meninos (o disco 'infantil' de 2010) e uma por B Fachada I (2009) - Só te Falta Seres Mulher como foi o tema de encerramento. Alguns minutos de incessantes aplausos depois, B Fachada acaba por voltar a palco para interpretar Os 2 no Polibã, um dos dois temas novos que faltavam (por tocar ficou apenas Mané-Mané que, sendo canção de guitarra com batidas electrónicas, não encaixava neste concerto).
B Fachada já tinha mostrado coragem e ousadia q.b. ao prometer dois discos por ano (e cumprir sem reciclar ideias). Ao apresentar-se ao vivo num formato que lhe expõe todas as fragilidades Fachada reforça essa ideia. Um esforço meritório que, nenhum fã pode negar, compensou largamente o risco e acabou por transformar todas as potenciais fraquezas em pontos fortes inabaláveis. Um concerto a recordar.
13bly
Sunday, December 11, 2011
Fotograma XXVIII - Condução arriscada


Drive é um filme curioso. Não seria difícil imaginar uma versão alternativa deste filme... uma versão com a mesma história mas cheia de cortes rápidos e perseguições longas e alucinantes que, inevitavelmente, causariam montes e montes de acidentes vistosos. Afinal Drive é a história de um piloto que de dia é duplo de cinema mas que durante noite pratica uma actividade menos lícita - fornece os seus serviços de condução como meio de fuga para criminosos.
Contado desta forma o argumento quase poderia passar por um qualquer Velocidade Furiosa. Mas não. Drive distingue-se dos restantes filmes 'do género' precisamente pelo seu deliberado e inesperado ritmo lento. É verdade que o filme também tem os seus momentos de quinta-a-fundo, mas os que realmente marcam são aqueles passados ao relanti, os silencios, os longos planos da cidade. A decisão de fazer um filme de acção parado foi arriscada mas revelou-se uma aposta ganha por parte de Nicolas Winding Refn (o realizador de Bronson) - ao invés de criar "mais um" filme, Winding Refn criou uma obra incomum que depressa ganhou algum estatuto de culto ao acumular louvores por onde passa.
Contado desta forma o argumento quase poderia passar por um qualquer Velocidade Furiosa. Mas não. Drive distingue-se dos restantes filmes 'do género' precisamente pelo seu deliberado e inesperado ritmo lento. É verdade que o filme também tem os seus momentos de quinta-a-fundo, mas os que realmente marcam são aqueles passados ao relanti, os silencios, os longos planos da cidade. A decisão de fazer um filme de acção parado foi arriscada mas revelou-se uma aposta ganha por parte de Nicolas Winding Refn (o realizador de Bronson) - ao invés de criar "mais um" filme, Winding Refn criou uma obra incomum que depressa ganhou algum estatuto de culto ao acumular louvores por onde passa.
13bly
