Sunday, October 31, 2010

mixtape especial para dias chuvosos


A minha reacção a esta mixtape é também ela um bocadinho 'mixta'. Talvez por não estar muito familiarizado com os estilos musicais que estão por trás desta peça, há partes de que gosto muito e outras que me passam um bocado ao lado.

Louis Cox baseou-se muito na obra do DJ Shadow e portanto essencialmente em ritmos hip-hop. Nalgumas partes as batidas são mais agressivas (em geral são estas as partes que não gosto tanto) mas nas outras encontram-se muitas aproximações ao trip-hop e ao downtempo fazendo desta mixtape a banda sonora ideal para estes dias chuvosos e cinzentos.

1. DJ Shadow - Fixed Income
2. DJ Shadow - Building Steam with a Grain of Salt
3. UNKLE - Bloodstain
4. DJ Shadow - What Does You Soul Look Like (part 3)
5. DJ Shadow - In/Flux
6. DJ Shadow - Midnight in a Perfect World
7. DJ Shadow - Melody
8. UNKLE - If you Find the Earth Boring
9. Divine Styler - Divine Intervention
10. UNKLE - Guns Blazing (feat. Kool G Rap)
11. UNKLE - Lonely Soul (feat. Richard Ashcroft)
12. Portishead - Sour Times
13. DJ Shadow - Lost & Found
14. DJ Shadow - What Does You Soul Look Like (part 2)
15. DJ Shadow - Mutual Slump
16. DJ Shadow - Stem

A mixtape está disponível para download em mp3 aqui portanto saquem, ponham a tocar bem alto e sentem-se à janela a ver a chuva cair com uma chávena de chá bem quente na mão.

13bly

Saturday, October 30, 2010

Noite solarenga em dia de chuva - Madame Godard @ CCVF (29/10/10)


O mau tempo não impediu a minha deslocação ao Centro Cultural Vila Flor (a segunda num espaço de duas semanas) para ver os luminosos Madame Godard. Nem a mim nem a muitos outros pois, pela altura do início do espectáculo a sala de Café Concerto apresentava-se confortavelmente composta (embora um bocado longe da casa cheia referida por Juvenal Vieira - o vocalista).
Como se pode ler num post anterior, eu já estava mais do que rendido a Galapagos , o álbum de estreia da banda, mas agora rendi-me também à sua prestação em palco. Depois de pagar uns simbólicos €3 (!!!) por este concerto não resisti ao pack "disco + t-shirt por 10€" e adicionei-o à minha colecção. E que bonito que é!

O concerto começou um pouco morno com os Madame Godard, como bons jogadores de poker, a esconder o seu jogo para surpreender mais à frente. A verdade é que o público se revelou difícil de conquistar e, com excepção de um pequeno grupo que desbundou (e bem) durante todo o concerto, sentia-se na sala alguma aura de desinteresse apesar de todo o empenho da banda de Viana do Castelo.
Talvez o conceito de café concerto tenha sido levado demasiado à letra mas, independentemente dessa dificuldade, a banda não desarmou e deve ter-se sentido orgulhosa quando, mais para o final conseguiu contagiar a sala com a sua simpatia e boa disposição. O espaço (pelo menos a zona mais próxima do palco) acabou por se transformar numa grande festa onde toda a gente sorria e dançava. O entusiasmo final foi tanto que deu origem a dois encores (apesar de o segundo ter sido 'apenas' a repetição de Love is Poker).

Pelo palco desfilou quase todo o ainda curto repertório da banda e portanto tive o prazer de ouvir todas as minhas favoritas. Músicas como Queens of the Twilight (não incluída no álbum mas sim no EP da Aurora), Hardly Alone e, mesmo para o fim, Au Revoir Tristesse foram mel para os meus ouvidos. Também a magnífica versão do clássico dos Clash - Spanish Bombs soou logo depois de Hardly Alone e prolongou-se até uma não menos magnífica OK for KO, que por sua vez serviu para apresentar a banda numa espécie de interlúdio instrumental.
Como deve ter ficado claro na frase anterior, algumas das músicas, ao vivo, aparecem ligeiramente transfiguradas relativamente à sua versão de estúdio. Ora alongadas, ora ligeiramente mais rápidas estes pequenos pormenores tornam o concerto mais surpreendente e interessante para quem já conhece bem o reportório da banda. Para além disso é especialmente nessas partes instrumentais alongadas que se nota o enorme prazer com que os Madame Godard interpretam a sua música. Só esse facto valeria bem mais do que €3 pelo que abandonei ontem o CCVF extremamente satisfeito com o serão. Venham mais concertos assim.

13bly

Thursday, October 28, 2010

Vidas aceleradas


O que se passa neste mundo e na vida das pessoas? Dizes isto pode ser um cliché completo mas tem o seu quê de verdade - a maior parte das pessoas não vive, sobrevive. O ritmo do dia-a-dia muitas vezes não permite mais do que realizar tarefas básicas de subsistência e uma repetir rotinas de forma mecânica.

Não se apreciam as chamadas 'coisas boas da vida' (sejam elas pequenas ou maiores um bocado) e está-se numa constante corrida contra o tempo. Entre transportes públicos e filas de trânsito não sobra espaço para quase nada tamanho é o frenesim acelerado de casa-trabalho e trabalho-casa. As comparações com animais como ovelhas, formigas ou abelhas é também por si um lugar-comum mas um que se torna cada vez mais inevitável.

E porquê pegar neste assunto agora? Por isto:

Aloe Blacc protagonizou mais um fantástico Concert a emporter da Blogotheque. Com a sua banda interpretou algumas faixas do seu repertório e ainda uma de Bill Withers. Os locais são variados, desde o meio da rua até uma espécie de café e aos corredores do metro. Foi precisamente nestes últimos que fiquei um bocado incomodado com o que vi.

O metro é o meio de transporte por excelência para deslocações no interior de uma grande cidade. Os corredores das estações são portanto zonas de passagem para muita gente ocupada e cheia de compromissos inadiáveis.
Será esse o caso da grande maioria das pessoas? Será que a maior parte não tem três minutos para dispensar? Serão os compromissos dessas pessoas tão inflexível que não lhes permitam chegar 3 míseros minutos atrasados? Ou será que o stress já lhes está tão entranhado que nem pensam nessa possibilidade?

A verdade é que fiquei verdadeiramente (mal) impressionado com a quantidade de pessoas que, a passo apressado, nem sequer de relance olhou para Aloe Blacc ou para a sua banda. Ouvir esta brilhante interpretação de You Make Me Smile era coisinha para alegrar o dia a qualquer um mas, sem se parar um minuto, os dias continuarão cinzentos.

13bly

Wednesday, October 27, 2010

epipháneia

epifania
(grego epipháneia, -as, aparição, manifestação)
s. f.
1. Relig. Manifestação de Jesus aos gentios, nomeadamente aos Reis Magos.
2. Relig. Festa religiosa cristã que celebra essa manifestação. = dia de Reis
3. Qualquer representação artística dessa manifestação.
4. Relig. Aparecimento ou manifestação divina.
5. Apreensão, geralmente inesperada, do significado de algo.
Sabem quando estão a ouvir uma música, já a conhecem e até nem estão a prestar particular atenção mas como que por magia parece que se acende uma luz e a música em causa parece ganhar outra dimensão e soar (ainda mais) maravilhosamente bem? Eu chamo a esta sensação 'epifania' e, nos últimos tempos tem-me acontecido com bastante frequência.

Esta (que podia perfeitamente estar no mp3 de Deus) foi a última:



Estava eu a meio de uma tarde de trabalho quando, por puro acaso, o shuffle do meu mp3 me presenteia com Rock'n'Roll Suicide do grande David Bowie. Esta música incrível está incluída no aclamado álbum de 1972 - The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars, por sinal um dos meus favoritos (se não mesmo o favorito). Parei o que estava a fazer por uns minutos (a duração da música) e simplesmente desfrutei com um sorriso nos lábios. Verídico.
13bly

Monday, October 25, 2010

Ooooohoooooh I've been blessed! - Orelha Negra @ CCVF (23/10/10)

Abençoados sejam os Orelha Negra e a sua música com a qual eles nos abençoaram a nós.

Antes de falar do concerto propriamente dito tenho de fazer aqui um 'mea culpa'. Apesar de considerar a Orelha Negra um dos projectos musicais com mais mérito e qualidade no panorama nacional e do seu álbum (homónimo) ser um dos meus favoritos deste ano (não só a nível nacional), ainda não lhes tinha prestado aqui a devida homenagem.

Inicialmente não se sabia quem eram, a sua música falava por eles e, como que para reforçar isso mesmo as suas caras apareciam, ao bom estilo sleeveface escondidas por trás de algumas influencias deste projecto. Quando as máscaras caíram o mundo descobre que os Orelha Negra eram uma mescla de talentos de diferentes projectos musicais. Os cinco magníficos eram nem mais nem menos que Samuel Mira (mais conhecido como Sam, the Kid), DJ Cruzfader, Francisco Rebelo e João Gomes (ambos dos Cool Hipnoise) e ainda Fred (baterista, entre outros, dos Buraka Som Sistema).

A música da Orelha Negra, tal como a sua formação é uma espécie de 'melting-pot', ou fusão como será mais correcto dizer em bom português. Tem uma base forte nas batidas do hip-hop mas vai buscar as suas raízes ao funk e soul de outros tempos. Para apimentar um pouco as coisas juntam-se samples inesperadas tanto de música como de voz. Ao longo do disco ouve-se a voz de Júlio Isidro, Fernando Tordo e Henrique Mendes, há uma participação de Pac-Man (dos Da Weasel) e ouvem-se amostras de sucessos de motown . A mistura de elementos parece improvável, mas a verdade é que resulta tudo muito bem, não só em disco como também ao vivo.

Os Orelha Negra fizeram uma aposta arrojada mas saiu-lhes o jackpot. A eles e a nós.

A sala de Café Concerto do Centro Cultural Vila Flor em Guimarães estava bem composta sem estar a abarrotar o que demonstra um lento despertar do público para este grupo e para estas sonoridades. Os 5€ do bilhete eram convidativos e posso ainda dizer que, para mim, o concerto superou todas as minhas expectativas e valeu aquela notinha azulada até aos últimos cêntimos (e ainda mais alguns).

No palco, nenhum dos 5 elementos se destaca, cada um tem a sua função e juntos complementam-se. O concerto de Orelha Negra não é um espectáculo visual. Não há uma figura central e por isso também não há um foco de atenções para o público. Em qualquer situação isso poderia causar dificuldades ao espectáculo em si mas a vertente musical é tão forte que a presença de um 'front man' se torna supérflua.

Durante cerca de 1h20 os Orelha Negra percorreram quase todo do o álbum e ainda tiveram tempo para Blessed (que serviu de promoção ao disco mas não consta do mesmo) e até para algumas surpresas inesperadas. As músicas do disco, assim como Blessed, foram muito bem transportadas para o palco mas senti que nas tais 'músicas surpresa' (com as conhecidas 'The Power' dos Snap!, 'Can't Touch This' do MC Hammer ou 'Crazy In Love' da Beyoncé entre outras) a coisa não estava tão consolidada e, sem o concerto ficar fraco (muito longe disso mesmo) a atenção se dispersava um bocado.

Não houve grandes manifestações de exuberância por parte do público mas também não houve muito tempo para isso visto que as músicas engrenavam umas nas outras quase sem pausas, mas bastava olhar à volta para ver sorrisos e cabeças a abanar ao ritmo da música. Foi um concerto incrível de uma banda incrível a provar que muita gente está errada quando diz que em Portugal não se faz boa música.

13bly