Sunday, November 22, 2009

I'll see you on the dark side of the moon*

Moon é o mais recente thriller psicológico de ficção científica a estrear nas salas portuguesas. É também a estreia de realizador de Duncan Jones, filho do mais-que-famoso David Bowie.

Sam Rockwell é Sam Bell, que não só é o personagem principal como é também o único personagem do filme, dividindo as cenas apenas consigo próprio e com a inteligência artificial residente da base lunar, GERTY (voz de Kevin Spacey).Confesso que não tinha gostado de ver Sam Rockwell na adaptação cinematográfica de Choke (romance de Chuck Palahniuk) mas vejo-me na obrigação de dar o braço a torcer e dizer que, em Moon, a sua prestação foi no mínimo muito boa.
Sam Bell tem contrato com a Lunar Industries para estar três anos a gerir uma base lunar de recolha de hélio-3, uma fonte de energia limpa que entretanto se tornou essencial à Terra. Uma vez que o satélite que assegura as comunicações está avariado a sua única forma de contacto com a Terra é através de mensagens directas e nunca de transmissões 'ao vivo'. Assim, durante a sua estadia na Lua, Sam apenas interagiu com GERTY e a sua solidão e isolamento são temas centrais no filme. Os três anos do seu contrato estão prestes a chegar a um termo e com eles o seu regresso à Terra e à sua família são eminentes.... mas nem tudo vai correr tão bem como Sam esperava.
São notáveis as reminiscências a filmes como o grande clássico de Kubrick, 2001: Odisseia no Espaço, o Solaris de Steven Soderbergh ou ainda, a uma escala mais equiparável à de Moon, o drama de ficção científica de Danny Boyle, Sunshine. Penso aliás que não devo estar a cometer grande erro ao afirmar que Moon funciona como uma espécie de tributo, não só a estes filmes, mas a todo o género este género cinematográfico de ficção científica com uma grande dimensão humana.

Moon dificilmente pode ser chamado um filme que revolucionário do género, mas não é por isso que deixa de ser excelente. Não hesitaria em classifica-lo como um dos melhores filmes de ficção científica dos últimos anos, talvez até década.
Uma estreia de grande nível esta de Duncan Jones. Esperam-se mais coisas boas deste rapaz.

13bly

*Título: música Brain Damage do mítico álbum 'Dark Side of the Moon' dos Pink Floyd que por sinal até se enquadra bastante bem no filme.

Saturday, November 21, 2009

6º "Os fins justificam os meios"

fins
s.m.pl.
Escopo, desígnio, alvo.

meios
s.m.pl.
Bens, fortuna, recursos, haveres.
Arte com meios não tradicionais.

#6 PAPEL
(parte 2)






Ingrid Siliakus





Outros meios:
#1 JORNAL | #2 LIVROS | #3 SOMBRAS | #4 LUZ | #5 PAPEL (pt.1) | #6 PAPEL (pt.2)

13bly

Friday, November 20, 2009

mixtape número um

Oito faixas que têm rodado no meu mp3.



13bly

Thursday, November 19, 2009

Velhos brinquedos novos!

Yashica Electro 35

Kodak Retinette IB

  • Proximo passo: descobrir se funcionam
13bly

Sunday, November 15, 2009

Amizade por correspondência

Quase 6 meses depois deste post vi finalmente Mary and Max. O trailer tinha-me seduzido e a esperava boas coisas do filme. Ainda assim este conseguiu não desiludir e, bem pelo contrário superou as minhas expectativas.

O que poderá uma menina australiana de 8 anos ter em comum com um americano obeso de 44 anos? À primeira vista nada. A cinzenta Nova Iorque de Max contrasta com o castanho mundo de Mary, mas é nas diferenças que está a fundação da amizade entre os dois e basta uma pequena troca de correspondência para percebermos que, afinal, existem ali algumas semelhanças. Ambos se sentem desenquadrados do seu mundo e os seus únicos amigos são, no caso de Mary, um galo a quem deu o nome de Ethel e no caso de Max um homem imaginário a quem chamou de Mr. Ravioli. A amizade entre os dois floresce bem regada pelo gosto comum por chocolate e desenhos animados.

A primeira meia hora de filme (mais coisa menos coisa) é tudo aquilo que esperava do filme. Uma comédia absolutamente deliciosa. As perguntas inocentes e infantis de Mary levam a respostas não hilariantes e não menos infantis de Max.
Daí para a frente o filme segue numa direcção algo inesperada por mim e assume uma identidade consideravelmente mais séria (sem nunca deixar de lado aquele tom infantil). Mary cresce vai para a universidade e casa, Max envelhece, é internado e ganha a lotaria mas, apesar de alguns percalços, a amizade entre os dois vai resistindo ao tempo e à distância.

Mary and Max é um interessante ensaio sobre a o ser humano e a sociedade na perspectiva de duas pessoas que estão um pouco à margem da mesma. Poluição, alcoolismo, obesidade, tabagismo, doenças e morte são tudo problemas reais que são abordados no filme, mas mais do que apontar os problemas, o filme mostra a solução e essa sim é a grande mensagem que se pretende passar: uma amizade improvável que vence todas as barreiras e distâncias.

Por ser baseado em factos verídicos, este pequeno e inocente filme consegue restaurar um pouco da minha fé na humanidade. Não digo que Mary and Max seja um filme imperdível, mas digo que não é de forma alguma tempo perdido.

13bly

Saturday, November 14, 2009

"Eles voltaram" ou "Manipular as massas (sem ser de esparguete e assim)"


Tivesse sido ontem (Sexta-Feira 13) e teria dito algo do género

"Que azar!!"

Mas sendo hoje Sábado 14 tenho a piada estragada.

13bly

P.S. - Adoro jogadas de marketing manipulativas.

Friday, November 13, 2009

Parasquavedequatriafobia*


Será que os casinos ganham mais às sextas-feiras 13?

13bly

* é o medo patológico da sexta-feira 13.

Thursday, November 12, 2009

Novembro


«I'll just end up walkin' in the cold November rain.»

13bly

Tuesday, November 10, 2009

«Há viagens sem regresso nem repetição.»

"Hoje já ninguém vai ao nosso deserto, Cláudia. Os fundamentalistas islâmicos, como os de Laghouat tornaram-se sanguinários e incontroláveis e os próprios tuaregues revoltaram-se contra o poder de Argel.

Mas a principal razão nem é essa. A razão principal é que já não há muita gente que tenha tempo a perder com o deserto. Não sabem para que serve e, quando me perguntam o que há lá e eu respondo "nada", eles riscam mentalmente essa viagem dos seus projectos. Viajam antes em massa para onde toda a gente vai e todos se encontram. As coisas mudaram muito, Cláudia! Todos têm terror do silêncio e da solidão e vivem a bombardear-se de telefonemas, mensagens escritas, mails e contactos no Facebook e nas redes sociais da Net, onde se oferecem como amigos a quem nunca viram na vida. Em vez do silêncio, falam sem cessar; em vez de se encontrarem, contactam-se, para não perder tempo; em vez de se descobrirem, expõe-se logo por inteiro: fotografias deles e dos filhos, das férias na neve e das festas de amigos em casa, a biografia das suas vidas, com amores antigos e actuais. E todos são bonitos, jovens, divertidos, "leves", disponíveis, sensíveis e interessantes. E por isso é quem vivem esta estranha vida: porque, muito embora julguem poder ter o mundo aos pés, não aguentam nem um dia de solidão. Eis porque já não há ninguém para atravessar o deserto. Ninguém capaz de enfrentar toda aquela solidão."

Miguel Sousa Tavares in 'No teu deserto'

13bly