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Thursday, April 4, 2013

Saturday, May 12, 2012

O ano dos Dead Combo

Depois de, no ano passado, terem lançado Lisboa Mulata (um dos meus favoritos), os Dead Combo andaram sempre em alta. Agora, em pleno 2012 quase se pode afirmar que este ano vai ser deles. Este post surge na sequência de uma série de acontecimentos que envolvem a dupla lisboeta.

O primeiro desses acontecimentos foi o concerto incrível que os Dead Combo deram no C.C. Vila Flor no passado Sábado. Nesse concerto, Tó Trips e Pedro Gonçalves trouxeram consigo alguns dos nomes que abrilhantaram Lisboa Mulata. Assim, junto com a Royal Orquestra das Caveiras, as Víboras do Chiado, Alexandre Frazão e Camané, os Dead Combo apresentaram o seu mais recente disco e passaram em revista a sua respeitável carreira.

Uma semana depois do concerto ainda me custa a crer que tenha assistido a um espectáculo daquele calibre. Embora já não faça grande sentido escrever uma 'crítica completa' ao concerto (não tive mesmo tempo para isso), não posso deixar de dizer que, até à data, este foi para mim o concerto do ano. Todas as participações foram importantes mas, como já tinha visto os Dead Combo com a Orquestra das Caveiras fiquei especialmente fascinado com as skills de bateria do Alexandre Frazão e com a voz poderosa do Camané. Em cerca de duas horas e meia de concerto praticamente sem interrupções, Tó Trips e Pedro Gonçalves, nas peles de um cangalheiro e um gangster, provaram que são uma das melhores bandas de sempre neste nosso Portugal (e além fronteiras - já lá vamos.).



O segundo acontecimento que vale a pena destacar é a participação (e especialmente as repercussões dessa participação) de Tó Trips e Pedro Gonçalves no episódio de No Reservations (programa sobre viagens e gastronomia) que Anthony Bourdain gravou em Lisboa (Carminho e Tózé Brito também foram destaque do programa). Catapultados por essa participação, os Dead Combo escalaram rapidamente as tabelas de músicas no mundo no iTunes e chegaram mesmo a colocar três discos no top 10 dos EUA. Está lançada a sua carreira internacional, esperemos que a dupla consiga agarrar essa oportunidade e fazer sucesso além-fronteiras por mérito próprio, desvinculando-se do rótulo de sucesso-efémero-por-causa-de-programa-de-TV. Eles bem o merecem e talento para isso não lhes falta. Força!

13bly

Monday, April 16, 2012

Wednesday, April 4, 2012

Adivinha quem voltou

MAD MEN
5ª TEMPORADA

As saudades eram muitas mas espera acabou finalmente. Mad Men está de volta! Um ano e meio depois do chocante final da 4ª temporada, a loucura regressou a Madison Avenue. Don Draper e os seus colegas da Sterling Cooper Draper Pryce apresentam-se novamente ao serviço em mais uma deslumbrante viagem no tempo até aos loucos anos 60.

GAME OF THRONES
2ª TEMPORADA

Com pretendentes ao trono a aparecer um pouco por toda a parte, o ambiente em Westeros nunca esteve tão quente. A guerra é iminente e é impossível prever quem sairá vencedor neste confronto de réis. É essa a premissa da segunda temporada de Game of Thrones. Antecipam-se muitos momentos de cortar a respiração.

Se ao menos a 5ª temporada de Breaking Bad não estreasse só lá para 2013...

13bly

Friday, February 24, 2012

Remisturar é viver

PART 1: The Song Remains the Same

PART 2: Remix Inc.

PART 3: The Elements of Creativity

PART 4: System Failure




aqui falei de Everything is a Remix, uma produção de Kirby Ferguson que versa sobre a criatividade do ser humano e a originalidade de conteúdos e ideias em geral.

Esta série de quatro partes chegou este mês ao fim e fê-lo em grande forma. Kirby expandiu horizontes novamente e levantou diversas questões pertinentes não só relacionadas com o mundo artístico mas com as mais variadas indústrias ou o mais banal dos quotidianos. Tal como os três primeiros episódios que lhe antecederam, vale a pena ver este último capítulo com muita atenção.
13bly

Thursday, February 2, 2012

Pontos de vista

De cima para baixo

D'Os Tenenbaums a Rushmore e até ao Fantástico Mr. Fox, o realizador Wes Anderson tem vindo a colocar-nos repetidamente na posição do personagem dos seus filmes. Um utilizador do Vimeo (kogonada) compilou agora a maior parte desses momentos num único vídeo.
Dos objectos

Sendo uma das melhores séries de sempre, Breaking Bad criou o seu próprio estilo. Uma das suas "imagens de marca" é colocar o espectador do ponto de vista de objectos relacionados com a cena. Mais uma vez, kogonada compilou a maior parte dessas cenas e o resultado está à vista.

13bly

Monday, January 30, 2012

Brevemente • Game of Thrones - Season 2

GAME OF THRONES
SEASON 2

Uma das melhores sagas de literatura fantástica de todos os tempos só podia originar também uma das melhores séries televisivas de sempre. George R.R. Martin escreveu e a HBO adaptou ao pequeno ecrã. A primeira temporada foi um sucesso tremendo e, estando já adiantado na leitura da saga não tenho quaisquer dúvidas que a segunda também será.


Outro teaser: The Cold Winds Are Rising

Depois de ler os romances a surpresa nunca será tão grande como quando vi a primeira temporada mas a trama é tão bem construída e tão recheada de personagens complexos que me vai dar um gosto enorme rever os acontecimentos de outra perspectiva e confirmar a qualidade da adaptação.

A guerra pelo Trono de Ferro continua a 1 de Abril. Não é mentira, winter is coming e o melhor será mesmo ir buscar os agasalhos.

13bly

Wednesday, March 30, 2011

"Nada se cria, nada se perde...

... tudo se transforma."
- Antoine Lavoisier

Assim reza a velha máxima da Química que, melhor ou pior, todos aprendemos na escola. Na verdade, embora seja ensinada no contexto dessa ciência em concreto, o domínio de aplicação deste 'chavão' é muito mais vasto - é válido também, por exemplo, nas artes.

Até que ponto existe realmente originalidade no que se faz? Não serão as artes um aglomerado de influências e vivências - um grande exercício de copiar e colar? Afinal, levando isto ao extremo, tudo o que fazemos, vemos, ouvimos ou sentimos nos influencia e condiciona, consciente ou inconscientemente, a nossa 'criatividade'. Os resultados são umas vezes mais óbvios, outras vezes mais disfarçados, mas a verdade é que há sempre algo por trás. Há até quem diga que tudo o que se faz é uma remistura de algo existente, que só se produz algo novo a partir de algo existente. Confesso que não discordo totalmente desta visão.

Quem parece concordar é Kirby Ferguson, o responsável pelo site Everything is a Remix (a principal razão de ser deste post). Kirby planeia fazer uma série de 4 vídeos (até ao momento ainda só foram lançados 2) e desta forma abordar algumas das muitas manifestações dos chamados remixes nos vários campos onde eles surgem.


Gosto da dinâmica dos vídeos e gosto dos exemplos que são dados embora na sua maioria sejam já casos bem conhecidos. Gosto acima de tudo do facto de estes vídeos não tentarem ser estudos exaustivos na matéria mas sim um aglomerado de curiosidades como que para abrir os olhos das pessoas para esta realidade sem fazer qualquer juízo à sua 'validade artística'. Aguardam-se os próximos lançamentos.

A título de curiosidade deixo algumas citações interessantes de pessoas que parecem partilhar esta visão.


"It’s not where you take things from - it’s where you take them to."
- Jean-Luc Godard

"Nothing is original. Steal from anywhere that resonates with inspiration or fuels your imagination. Devour old films, new films, music, books, paintings, photographs, poems, dreams, random conversations, architecture, bridges, street signs, trees, clouds, bodies of water, light and shadows. Select only things to steal from that speak directly to your soul. If you do this, your work (and theft) will be authentic. Authenticity is invaluable; originality is non-existent. And don’t bother concealing your thievery - celebrate it if you feel like it."
- Jim Jarmusch

"Good artists copy, great artists steal."
- Pablo Picasso

"What has been will be again, what has been done will be done again; there is nothing new under the sun."
- Rei Salomão
(Ecclesiastes 1:9)


Ainda de certa forma relacionado e em tom de brincadeira, deixo aqui a ligação para o conhecido vídeo de uma actuação dos Axis of Awesome (um conjunto de músicos/humoristas) na qual desconstroem virtualmente todos os sucessos dos últimos anos até uma base simples de quatro simples acordes. Parece impossível não parece?

13bly

Thursday, December 30, 2010

2010 no pequeno ecrã

Os canais televisivos (não só em Portugal) estão cada vez mais empestados de reality-shows reles, programas familiares bacocos e 'filmes de Domingo à tarde' cada vez piores. Entre Casas dos Segredos e mil e uma edições dos Ídolos (ou outros programas com o mesmo formato) sempre se safa alguma coisa, nomeadamente a nível de ficção. E não, não me refiro às novelas da TVI (que agora até ganham Emmys).

Quer se queira quer não, goste-se ou deteste-se, o grande destaque desta categoria tem de ir para LOST. O final de LOST foi o acontecimento televisivo do ano. É um facto! A misteriosa série que durante 6 anos atormentou a vida de milhares de fãs por todo o mundo chegou ao fim e o seu derradeiro episódio foi verdadeiramente polarizante. Sou fã assumido da série, mas mesmo que não fosse, uma coisa é inegável - o impacto cultural da mesma. Depois de LOST todas as séries tentam ser o "próximo LOST", mas tenho cá para mim que tão cedo isso não acontece.

Mas o ano não se resume a LOST.


A amc assumiu-se como um dos grandes canais de ficção ao lançar para o ar a quarta (e melhor) temporada de Mad Men e também a terceira (e talvez também melhor) temporada de Breaking Bad. São de facto feitos notáveis para duas séries que tinham atingido um padrão de qualidade tão alto que se julgava quase impossível superar.
Mas neste ano que está quase a terminar, as ambições deste canal não se limitaram a manter o elevado nível dos seus nomes consagrados. A amc fez ainda uma aposta em duas novas produções: The Walking Dead e Rubicon - se a primeira foi um sucesso e já tem o contrato renovado, já a última se revelou um pequeno tropeção e acabou por ser cancelada ao fim da primeira temporada.


Ao passar o ano em revista convém não por de parte The Pillars of the Earth. Esta mini-série de 8 episódios não é de produção americana e talvez por isso pareça uma espécie de 'carta fora do baralho' neste balanço mas não é por isso que deve ser desvalorizada. The Pillars of the Earth adapta para o pequeno ecrã o clássico literário de Ken Follet com o mesmo nome e é uma excelente produção televisiva - vale a pena ver (mas só depois de ler os romances).

O último trimestre do ano ficou também marcado pelo regresso de Dexter à Showtime. A última temporada tinha sido de cortar a respiração e talvez por isso mesmo esta tenha parecido um pouco menos intensa. Importa realçar que, na escala de Dexter, isto não significa que esta tenha sido uma má temporada - é certo que o primeiro episódio foi muito insatisfatório e me tirou um bocado de entusiasmo mas, mais para a frente, as coisas aqueceram.

Foi ainda em 2010 que descobri um certo prazer em Fringe. Comecei a ver com algum cepticismo num período do ano que quase pareceu uma espécie de silly-season televisiva. Durante muito tempo não passou de uma 'série para desenjoar', ou seja, via por não ter nada mais para ver, mas aos bocadinhos fui-me entusiasmando com aquilo. Chamemos-lhe um guilty-pleasure.


Sendo este um post sobre o que de melhor se fez na televisão, este não estaria completo sem falar na HBO. Em 2010 deu para ver que David Simon não perdeu o seu toque de Midas e continua a transformar em ouro tudo a que deita as mãos. Falo obviamente de Treme, a série que retrata a difícil (mas ainda boémia) vida em Nova Orleãs no pós-Katrina.
Ainda na HBO não me posso esquecer de Boardwalk Empire - uma espécie de Sopranos nos anos 20 com uma produção fantástica e desempenhos que não ficam muito atrás mas que, apesar de ter prometido muito, não cumpriu a 100% e ficou a sensação de ter faltado ali alguma coisa. Pela forma como acabou a temporada, acredito que na próxima essa falha seja colmatada.

Postas assim as coisas e olhando para trás - mesmo tendo em conta as reles programações da maior parte dos canais generalistas - dificilmente se poderá dizer que foi um mau ano para a televisão. Venha daí o 2011!

13bly

Saturday, October 2, 2010

Música e televisão de mãos dadas


Year Zero (2007) é um álbum conceptual dos Nine Inch Nails. O álbum deu origem a um jogo de realidade alternativa cuja história envolveu os fãs da banda.
Trent Reznor, o líder incontestável da banda e grande responsável por Year Zero, sempre se referiu ao álbum como uma 'banda sonora para um filme que ainda não foi feito'. Durante o próximo ano vai poder deixar de o fazer pois a HBO - esse bastião de boa ficção televisiva - converter a obra musical de Reznor a uma mini-série de ficção científica.


A minha curiosidade está claramente aguçada e os motivos são muitos. Desde os elevados padrões de qualidade da HBO ao valor artístico de Reznor e a sua exigência com o produto final, passando pelo produtor - que será Lawrence Bender (companheiro de Tarantino em todos os seus filmes com excepção de Death Proof) - até Daniel Knauf, responsável por Carnivàle (uma série fantástica da HBO que, infelizmente foi cancelada na segunda temporada por ser demasiado cara), que irá escrever o argumento.

Como já disse no outro dia relativamente a Boardwalk Empire, esta série tem tudo para dar certo será, sem dúvida, imperdível.

13bly

Monday, August 9, 2010

A coisa promete!


Há séries que por um conjunto de factores parecem condenadas ao sucesso, Boardwalk Empire é uma delas. Esta série deverá estrear em meados de Setembro e, pela lista que se segue, e as condições para o sucesso são tantas que parece algum evento cósmico em que os planetas se alinham.



Não acreditam? Então reparem: 
  • Boardwalk Empire tem o carimbo de qualidade HBO o que deveria dar alguma confiança até aos mais cépticos;
  • Lembram-se dos Sopranos? Terrence Winter foi um dos seus mais destacados argumentistas e é ele o principal nome por trás desta adaptação do livro de Nelson Johnson - Boardwalk Empire: The Birth, High Times, and Corruption of Atlantic City
  • O primeiro episódio será realizado por Martin Scorcese e este manter-se-á bastante envolvido no projecto; 
  • O papel principal será desempenhado por Steve Buscemi e este partilhará holofotes com nomes como Michael Pitt (The Dreamers e Last Days), Kelly Macdonald (Trainspotting e No Country for Old Men) e Michael Kenneth Williams (o grande Omar Little de The Wire);
  • Por fim, importa dizer que a série é passada nos anos 20 durante o período da Lei Seca e que irá centrar-se na máfia e na indústria de entretenimento de Atlantic City (conhecida pelos seus casinos). 


ou este trailer menos artístico e mais esclarecedor

Sinto que por vezes me repito em posts deste género e talvez utilize este adjectivo vezes demais mas, se Boardwalk Empire não é imperdível então nada ou quase nada o será!

13bly

Monday, August 2, 2010

Televisão épica - The Pillars of the Earth


Quem é que sabia que estava a ser feita uma mini-série dos Pilares da Terra? Eu sabia (fruto de um pouco de pesquisa quando escrevi este post), não fazia era ideia que a produção estava tão adiantada. Neste caso, 'adiantada' é um eufemismo para 'já está a ser transmitida'. Esta adaptação da história épica de Ken Follet terá o total de 8 episódios, 3 dos quais já foram para o ar.

Passando os olhos pela lista das pessoas envolvidas neste projecto, saltam à vista dois produtores executivos - Ridley Scott (Alien, Blade Runner) e Tony Scott (Top Gun, True Romance) que, descobri agora, são irmãos.
O elenco é na sua grande parte desconhecido, ou pelo menos não muito famoso visto que apenas reconheci algumas caras e, na maior parte dos casos, não consegui localiza-las. Neste caso específico, dada a dimensão da obra e a complexidade dos personagens, isto é sem dúvida um ponto a favor até porque os castings foram na sua grande parte acertados. Aliás, não me consigo lembrar de uma adaptação mais perfeita em termos de casting - o responsável merece um prémio chorudo no salário. Para além disso os desempenhos  dos actores que interpretam os personagens mais relevantes têm sido excelentes.

Transportar toda a grandeza da obra d'Os Pilares da Terra para o pequeno ecrã seria uma façanha quase impossível mas, pelo que já vi (2 episódios), devo dizer que esta adaptação está melhor do que julgava possível. John Pielmeier (argumentista) fez um trabalho brilhante na transição do best-seller e não tenho nada a apontar ao trabalho de Sergio Mimica-Gezzan (realizador) apesar de que, imagino que seja um pouco difícil para quem nunca leu a obra acompanhar o novo ritmo mais acelerado de eventos e perceber todas as pequenas nuances nos personagens criados por Ken Follet.


The Pillars of the Earth é, sem sombra de dúvidas, um dos eventos televisivos do ano e não deve de forma alguma ser perdido. Ainda assim, não ficaria com a consciência tranquila se não deixasse aqui o conselho de primeiro ler a obra e só depois ver a série. Se alterarem a ordem dos factores duvido que a experiência seja tão agradável.

13bly

Friday, July 30, 2010

"Ouve lá Toni!" | "Olha lá Zézé!"


ANTÓNIO FEIO
06/12/1954 - 30/07/2010

Neste país, como em todos os outros, há artistas e 'artistas'. Hoje Portugal perdeu um Artista com 'a' grande. Não há como esquecer a brilhante Conversa da Treta (talvez o trabalho mais reconhecido de António Feio)  que levou a cabo com o seu grande companheiro e amigo José Pedro Gomes. A Treta, de série televisiva passou a peça de teatro (A Treta Continua, partes I e II) e ainda deu origem a um filme de cinema (O Filme da Treta).
As gargalhadas e bons momentos não têm preço. António Feio proporcionou-me muitos dos dois tanto na série (que acompanhava religiosamente) e nos pequenos sketches soltos que protagonizou na sua carreira como mais tarde no Filme da Treta e, principalmente, na primeira das peças da Treta que tive o prazer de assistir na Casa das Artes de Famalicão. A 'Treta' acabou, mas a memória do seu talento e o seu legado no humor e na cultura portuguesa permanecem intactos.

Até sempre António, obrigado pelas gargalhadas.

13bly

Thursday, July 29, 2010

O regresso do frenesim de Madison Avenue


Com o final da terceira temporada de Breaking Bad, da primeira de Treme e com quinta de Dexter ainda a cerca de dois meses de distância fiquei subitamente sem 'nada para ver' nesta aparente silly season televisiva. Isto até me aperceber que Donald Draper e companhia voltaram.


Nesta aguardada (cerca de um ano) quarta temporada de Mad Men vamos finalmente poder ver o desempenho da recém formada Sterling-Cooper-Draper-Price e a reacção de Don ao seu novo estado civil. Tudo isto no sempre sedutor e fascinante ambiente dos anos 60 recheado das já habituais manobras publicitárias. Tem tudo para ser (mais) uma grande temporada - a não perder!

13bly

Saturday, June 19, 2010

Ficção ao cubo


A minha admiração pela HBO (e, principalmente pelas suas obras de ficção) deverá ser já do conhecimento dos leitores deste blog - ainda assim, nunca será demais reforçar esse sentimento. Hoje, no entanto, o que me leva a escrever sobre este canal de televisão não é uma série, mini-série ou telefilme. É ainda uma obra de ficção audiovisual, mas com um formato diferente - uma experiência interactiva. Dois anos depois da brilhante campanha HBO Voyeur, surge HBO Imagine.

IT'S MORE THAN YOU IMAGINED
IT'S

HBO Imagine é uma campanha lançada em 2009, mas só hoje a 'descobri'. Trata-se de uma espécie de uma espécie de teia de curtos vídeos que, ligados, permitem decifrar uma história de maiores dimensões. Até aqui nada de muito inovador mas a parte engraçada vem a seguir - alguns destes 'excertos' são filmados de 4 ângulos distintos (chamam-lhe 'o cubo') e cada um deles é relevante para a compreensão da história podendo inclusivamente modificar o sentido das cenas.
The HBO Cube embraces the spirit of HBO telling deeper more engaging stories in inovative ways, demonstrating that a single change in perspective changes everything. The HBO Cube shows four sides of a single story simultaneously. Only when you've seen all four sides of the story you will begin to see the bigger picture.
A HBO não se acomoda ao seu estatuto e continua a procurar novas formas de contar histórias e de envolver os seus espectadores nas mesmas. É este o tipo de atitude que os leva cada vez mais longe e cimenta a sua posição de destaque no que toca à ficção televisiva.

13bly

Tuesday, May 25, 2010

"Where are we going?" | "Let's go find out."

Antes de avançar demasiado nesta 'crítica' quero deixar bem claro que achei o último episódio de LOST um dos momentos mais brilhantes de televisão a que já assisti.
Sem entrar em pormenores acerca do que aconteceu ou deixou de acontecer devo dizer que, principalmente a segunda metade do episódio foi altamente emocionante (no sentido de ter estado por diversas vezes no limiar das lágrimas e não no sentido de estar agarrado à cadeira ou a roer as unhas). A mecânica utilizada para o desenlace final não terá sido o mais original de sempre, no entanto, a forma como ela foi materializada foi um grande exemplo de pura mestria poética e pareceu-me um fim bastante adequado para os personagens que nos foram apresentados há 6 anos e que passaram por tanto para chegar aquele momento.

Do ponto de vista do desenvolvimento de personagens e do destino final das suas viagens, o meu indicador de satisfação está bastante próximo dos 100%. Estou, no entanto e apesar do excelente episódio, um pouco desapontado por não terem surgido respostas a algumas perguntas mais basilares da mitologia LOST. Não entrei no último episódio à espera de ver uma longa lista de perguntas e respostas e acho que muitas delas não necessitam de resposta, no entanto também não contava que o grande mistério da ilha (que foi afinal pano de fundo de 6 temporadas) fosse, na prática, ignorado.
LOST sempre foi uma série centrada nos personagens mais do que nos mistérios da ilha em si, disto não tenho dúvidas. No entanto a ilha e os seus mistérios 'faziam também parte do elenco' e ao dedicar a totalidade do último episódio aos personagens sem prestar quaisquer esclarecimentos acerca da ilha faz com que muitos dos momentos da série pareçam quase perdas de tempo. Depois de tantos mistérios, enigmas e segredos, no último episódio, os criadores querem fazer-nos crer que a série sempre foi SÓ sobre os personagens.

Seria com certeza difícil encaixar essas respostas num episódio tão carregado de emoção como o de Domingo sem o estragar e, para todos os efeitos, o mais provável é que essas respostas fossem insatisfatórias (seria sempre impossível agradar a toda a gente). Apesar do episódio brilhante o travo a amargo pela ausência de algumas respostas é inevitável.

13bly

Monday, May 24, 2010

O fim da viagem

Chegou ontem ao fim uma das maiores epopeias da história da televisão. Goste-se ou não, LOST é, uma das séries mais marcantes de sempre - desde os tempos áureos de Star Trek que não se viam seguidores tão fieis (ou fanáticos, fica à escolha) e desde a morte de Laura Palmer em Twin Peaks que não se gerava tamanho burburinho e especulação à volta de um mistério. Um verdadeiro fenómeno.

Agora, 6 anos (e 6 temporadas depois), o dia 23 de Maio de 2010 ficou marcado como o fim da longa e tortuosa viagem, carregada de enigmas e pequenas dicas indecifráveis que caracterizam LOST desde o primeiro episódio.
Terá o final sido satisfatório? Bem, será impossível agradar a toda a gente...

Agora, se me dão licença, vou ver como acaba.

13bly

Monday, May 17, 2010

Aconselháveis

Esta última semana o 13bly tem andado um bocado parco em palavras e não tenho qualquer justificação para isso. Não é falta de tempo nem falta de assunto, simplesmente não tenho estado para aí virado. Como não gosto de fazer deste blog um "depósito de imagens e vídeos", aqui vão duas boas sugestões.

BREAKING BAD

Walter White tem 50 anos e é um simples professor de Química que passou ao lado de uma brilhante carreira em investigação. Skylar, a sua esposa, está grávida de um bébé não planeado e o filho mais velho do casal, Walt Jr. nasceu com uma deficiência. Como se isto não fosse suficiente Walter descobre que tem um cancro terminal no pulmão.
A situação financeira da família é bastante precária e o seguro de saúde que possuem não cobre os tratamentos de Walter. De que forma poderá então Walter garantir o sustento à sua família? Aplicando os seus conhecimentos de química para produzir metanfetaminas que irá vender em parceria com um ex-aluno delinquente. Ahh, esqueci-me de dizer... o cunhado dele é chefe de uma Brigada Anti-Drogas.

Apesar de todos os problemas de família e da temática algo pesada que é o cancro, Breaking Bad é extremamente divertido e empolgante nas situações hiperbólicas que vão surgindo. Esta série consolida a minha confiança na subvalorizada amc (só para recordar: Mad Men foi produzida pelo mesmo canal).


GENERATION KILL


O que é que tem a guerra do Iraque de diferente das outras guerras? Pelos vistos muita coisa.

Pessoalmente, quando penso nas guerras modernas imagino as altas tecnologias a serem utilizadas para planear tudo ao milímetro. Aparentemente, segundo Generation Kill, no Iraque não é isso que acontece.

Generation Kill (a série) é baseada num livro de crónicas que Evan Wright - jornalista da revista Rolling Stone - escreveu relatando a sua experiência quando em 2003 acompanhou um batalhão de Marines ao longo da invasão ao Iraque.

Escrita por David Simon e Ed Burns (The Wire), Generation Kill é o retrato irónico de uma guerra sem rumo onde a hierarquia militar parece estar de pernas para o ar e as ordens não fazem sentido.

É (mais) uma grande mini-série com o carimbo de qualidade HBO. Como diz a Lídia Gomes de Os Novos Pornógrafos: "não é televisão, é HBO."


13bly

Wednesday, April 28, 2010

Quatro émes

miscelânea

do Lat. miscellania


fig.,
mistura de diferentes coisas ou confusão;
mistifório.

MICMACS À TIRE-LARIGOT

O mais recente filme de Jean-Pierre Jeunet, apesar de não ser brilhante como Delicatessen ou Amélie, garante uma boa dose de divertimento e risadas naquele estilo algo mágico que lhe é característico. O próprio título pode traduzir-se para "loucuras sem limite" e, tendo em conta que no fundo o filme é uma sátira ao estilo de vida dos grandes industriais de armamento, até se adequa.

Como é habitual em Jeunet, todos os personagens são bizarros e as aventuras em que se envolvem são improváveis. Neste caso, assim muito por alto, Micmacs conta a história de um caricato grupo de sem abrigos que se querem vingar dos dois maiores fabricantes de armamento. Para isso, preparam uma série de manobras de forma a vira-los um contra o outro.

É diversão assegurada, acreditem!


MAD MEN


Ao princípio achava que a 'cena dos anos 60' era uma simples manobra ou artifício mas logo perdi essa ideia. A 'cena dos anos 60' faz sentido e, em pleno período de crise, o que pode ser melhor do que recordar o 'sonho americano'?

Mad Men retrata a vida numa empresa de publicidade na infame Madison Avenue (daí o nome) de Nova Iorque. A série contém diversos pormenores sócio-culturais que caracterizam a época na perfeição: como o hábito do tabaco e a descrença de que fumar mata, a desigualdade para com as mulheres ou assuntos sensíveis ainda hoje como o aborto e o racismo. Esta série tem a vantagem de, tratando-se de uma agência publicitária, ter conseguido o patrocínio de diversas marcas reais facilitando a ligação com o expectador. Por se enquadrar numa época já algo distante, pode ainda entrelaçar a história com acontecimentos históricos como eleições ou guerras do passado, criando uma ilusão de realidade mais forte.

Sabe bem ver Mad Men e deixarmo-nos seduzir por todo o glamour dos anos 60.


METROPIA

Metropia tem um visual inovador difícil de explicar (vejam o trailer) e alguns nomes de peso (como Vincent Gallo e Juliette Lewis), no entanto, muito por culpa de uma história mastigada (e apressada) não passou de um filme mais-ou-menos.

A história do filme parece quase decalcada de 1984 - o mundo de Metropia é o típico mundo distópico e cinzento em que o personagem principal é alguém insignificante que descobre uma grande conspiração e acaba por lhe por termo. Apesar das muitas (e são mesmo muitas) semelhanças, não é desinteressante - tem até uma série de pormenores estimulantes - é apenas um daqueles filmes que, não sendo geniais, ocupam bem os 80 minutos da sua duração sem se tornar chato.

Não sei bem que tecnologias foram usadas para gerar esta estética única mas, apesar de ser um pouco estranha, esta acaba por tornar o filme interessante.


13bly