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Wednesday, March 7, 2012

Vox Populi

People are taking the piss out of you everyday. They butt into your life, take a cheap shot at you and then disappear. They leer at you from tall buildings and make you feel small. They make flippant comments from buses that imply you're not sexy enough and that all the fun is happening somewhere else. They are on TV making your girlfriend feel inadequate. They have access to the most sophisticated technology the world has ever seen and they bully you with it. They are "The Advertisers" and they are laughing at you.

You, however, are forbidden to touch them. Trademarks, intellectual property rights and copyright law mean advertisers can say what they like wherever they like with total impunity.
Fuck that. Any advert in a public space that gives you no choice whether you see it or not is yours. It's yours to take, re-arrange and re-use. You can do whatever you like with it. Asking for permission is like asking to keep a rock someone just threw at your head.

You owe the companies nothing. Less than nothing, you especially don't owe them any courtesy. They owe you. They have re-arranged the world to put themselves in front of you. They never asked for your permission, don't even start asking for theirs.
13bly

Tuesday, February 7, 2012

(X por Y)^34 - The great scream in the sky

X
Y
O GRITO
de Edvard Munch
por
(e vice-versa)
THE GREAT GIG IN THE SKY
dos Pink Floyd

“I was walking along a path with two friends – the sun was setting – suddenly the sky turned blood red – I paused, feeling exhausted, and leaned on the fence – there was blood and tongues of fire above the blue-black fjord and the city – my friends walked on, and I stood there trembling with anxiety – and I sensed an infinite scream passing through nature.
- Edvard Munch, 1893
13bly

Monday, January 2, 2012

If I drive for you, you give me a time and a place.

I give you a five-minute window, anything happens in that five minutes and I'm yours no matter what.


I don't sit in while you're running it down; I don't carry a gun... I DRIVE.
13bly

Monday, August 22, 2011

Watch out!


Watch your thoughts; they become words.

Watch your words; they become actions.

Watch your actions; they become habits.

Watch your habits; they become character.

Watch your character; it becomes your destiny.

13bly

Tuesday, August 9, 2011

Audiovisual X - Datamoshing

audiovisual
adj. 2 gén.,
relativo simultaneamente à audição e à visão;
que associa som e imagem no processo de comunicação;
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【Vídeo: Charlie Visnic】 【Música: Mande Burung by Odelia

"Now that television transmissions have gone completely digital you have probably seen this effect before. You’re watching TV and then suddenly the image freezes. Then, instead of glitching back to the next shot, its as if the next shot appears to be wearing the information from the previous shot. It’s a surreal effect that can be hard to explain.”
13bly

Wednesday, March 30, 2011

"Nada se cria, nada se perde...

... tudo se transforma."
- Antoine Lavoisier

Assim reza a velha máxima da Química que, melhor ou pior, todos aprendemos na escola. Na verdade, embora seja ensinada no contexto dessa ciência em concreto, o domínio de aplicação deste 'chavão' é muito mais vasto - é válido também, por exemplo, nas artes.

Até que ponto existe realmente originalidade no que se faz? Não serão as artes um aglomerado de influências e vivências - um grande exercício de copiar e colar? Afinal, levando isto ao extremo, tudo o que fazemos, vemos, ouvimos ou sentimos nos influencia e condiciona, consciente ou inconscientemente, a nossa 'criatividade'. Os resultados são umas vezes mais óbvios, outras vezes mais disfarçados, mas a verdade é que há sempre algo por trás. Há até quem diga que tudo o que se faz é uma remistura de algo existente, que só se produz algo novo a partir de algo existente. Confesso que não discordo totalmente desta visão.

Quem parece concordar é Kirby Ferguson, o responsável pelo site Everything is a Remix (a principal razão de ser deste post). Kirby planeia fazer uma série de 4 vídeos (até ao momento ainda só foram lançados 2) e desta forma abordar algumas das muitas manifestações dos chamados remixes nos vários campos onde eles surgem.


Gosto da dinâmica dos vídeos e gosto dos exemplos que são dados embora na sua maioria sejam já casos bem conhecidos. Gosto acima de tudo do facto de estes vídeos não tentarem ser estudos exaustivos na matéria mas sim um aglomerado de curiosidades como que para abrir os olhos das pessoas para esta realidade sem fazer qualquer juízo à sua 'validade artística'. Aguardam-se os próximos lançamentos.

A título de curiosidade deixo algumas citações interessantes de pessoas que parecem partilhar esta visão.


"It’s not where you take things from - it’s where you take them to."
- Jean-Luc Godard

"Nothing is original. Steal from anywhere that resonates with inspiration or fuels your imagination. Devour old films, new films, music, books, paintings, photographs, poems, dreams, random conversations, architecture, bridges, street signs, trees, clouds, bodies of water, light and shadows. Select only things to steal from that speak directly to your soul. If you do this, your work (and theft) will be authentic. Authenticity is invaluable; originality is non-existent. And don’t bother concealing your thievery - celebrate it if you feel like it."
- Jim Jarmusch

"Good artists copy, great artists steal."
- Pablo Picasso

"What has been will be again, what has been done will be done again; there is nothing new under the sun."
- Rei Salomão
(Ecclesiastes 1:9)


Ainda de certa forma relacionado e em tom de brincadeira, deixo aqui a ligação para o conhecido vídeo de uma actuação dos Axis of Awesome (um conjunto de músicos/humoristas) na qual desconstroem virtualmente todos os sucessos dos últimos anos até uma base simples de quatro simples acordes. Parece impossível não parece?

13bly

Tuesday, March 1, 2011

"Nature never appeals to intelligence until habit and instinct are useless.

There is no intelligence where there is no change and no need of change."

HG Wells in The Time Machine
13bly

Thursday, February 24, 2011

Não vão só por mim...

... se o Caetano diz deve ser verdade.

"American music has become global since the 1920’s. At least. So, nothing American is local anywhere. You can do American things in Holland, in Brazil, in France, in Africa. Anywhere. Japan. You can have a jazz band or a rock n’ roll band or a rap group in Portugal or Spain. Anywhere. You cannot say that it doesn’t belong to them or that they are just imitating because people just grew up listening to those things. They were exposed to that kind of sound and feeling. American pop culture is international. It’s the only real world music. (...) They are not even trying to be original because it belongs to everybody in a way."

Esta citação foi retirada de uma interessante conversa informal entre Caetano Veloso e Beck Hansen (daí o inglês) que ocorreu algures durante o ano de 2009 (disponível na íntegra aqui). Achei imensa graça a esta passagem, não só porque a opinião vai de encontro à que expressei neste post mas também porque, tal como foi minha intenção nesse post, foi dita em tom de brincadeira e seguida de risos para que não seja levada totalmente a sério (embora faça todo sentido).

13bly

Saturday, February 12, 2011

"We all die.


The goal isn't to live forever, the goal is to create something that will."
- Chuck Palahniuk
13bly

Monday, September 20, 2010

"Todo o inferno está contido nesta única palavra: solidão." *


Todos sabemos que a desertificação das muitas aldeias do Interior deixam muitos idosos condenados a uma vida de solidão. O que eu não me tinha apercebido era da importância que um simples programa de rádio local pode ter para estes 'velhinhos'.

Jorge Pelicano muito tem feito para trazer a realidade do interior do país para o litoral que, de outra forma, estaria demasiado ocupado com o frenesim do dia-a-dia para prestar a devida atenção às suas raízes mais rurais. Depois dos aclamados Ainda Há Pastores? e Pare, Escute e Olhe, a reportagem Discos Pedidos é o mais recente retrato de solidão com o dedo de Jorge Pelicano.


Até agora, alguns dos adjectivos que empregava, não sem uma certa arrogância, para classificar estes programas eram 'foleiro' e 'parolo' (entre outros até bem piores). Desde que vi esta esta Grande Reportagem na SIC, olho para estes programas com outro respeito, não porque sejam algum expoente de cultura, mas pelo seu lado humano - tão importante nas vidas de quem diariamente enfrenta a solidão.

13bly
* Victor Hugo

Friday, July 23, 2010

"The dolphin's smile is nature's greatest deception.

It creates the illusion they are always happy."

O golfinho é um animal com o qual é fácil simpatizar. O seu grande sorriso enganador e a sua elevada inteligência (há estudos que defendem que a sua inteligência ultrapassa a do Homem) facilitam a ligação e a empatia. Associada à grande crueldade do ser humano, essa empatia torna The Cove num documentário chocante e revoltante. Por outro lado, a sua faceta de conspiração de grande escala torna-o verdadeiramente empolgante.


Richard O'Barry tornou-se famoso por ter capturado e treinado os golfinhos da famosa série televisiva 'Flipper' e, dessa forma, dar a conhecer ao mundo a magia desses animais fascinantes. Arrependido do que fez, hoje em dia Ric dedica a sua vida a destruir a indústria que ajudou a fundar e a desmascarar situações de maus tratos de golfinhos.

Quando se depara com os horríveis massacres que ocorrem na baía de Taiji, Japão, Richard O'Barry fica chocado com a forma como toda a situação é ocultada do público pelos média e até protegida pelo governo e instituições de defesa dos animais. Nasce então The Cove, num esforço de trazer a público as atrocidades que ocorrem numa baía escondida numa pequena vila piscatória no Sul do Japão. Para isso reúne uma equipa de especialistas ao estilo de Ocean's Eleven (como ele próprio diz) e juntos lançam-se numa perigosa missão de espionagem.
The Cove tem muito que se lhe diga - não é simplesmente um documentário sobre maus tratos a animais. É desmascarada toda uma conspiração de grande escala cujos tentáculos tocam muitas áreas sensíveis (governo, instituições de protecção de animais, média, indústria alimentar e saúde). São essas descobertas, associadas simultaneamente aos grandes (e muito pouco discretos) entraves à recolha de imagens da baía e à forma como Ric e a sua equipa os contornaram que tornam The Cove num documentário empolgante do primeiro ao último minuto.

Importa recordar que para além dos prémios constantes da imagem acima, The Cove venceu ainda o Oscar de Melhor Documentário o que, em princípio será um indicador de vitória para Richard O'Barry que, mesmo que não consiga travar a matança dos golfinhos ao menos já conseguiu trazer o caso a público.
Apesar do reconhecimento quase geral da qualidade do documentário e da gravidade das situações nele expostas, diversos cinemas no Japão baniram este filme. Este é apenas mais um dos muitos contrastes berrantes de um país que, sendo um dos mais desenvolvidos do mundo, assume também atitudes tão pouco racionais.

13bly

Tuesday, July 6, 2010

“If the doors of perception were cleansed,

... everything would appear as it is - infinite”
- William Blake

The Doors são indiscutivelmente uma das bandas mais importantes da história da música e uma das minhas favoritas. Muita tinta já correu sobre o quarteto de Los Angeles encabeçado pelo lendário Jim Morrison - desde artigos, crónicas, livros, documentários e até uma longa metragem de Oliver Stone que não tem grande fama entre os fãs da banda.

Surge agora When You're Strange - nome retirado da letra de People Are Strange, uma das minhas músicas favoritas. Este novo documentário gaba-se de contar a 'verdadeira história dos Doors' que foi algo deturpada no filme de Stone. Ray Manzarek, o homem dos teclados dos Doors, afirma até que este filme seria o 'anti-Oliver Stone'.

O documentário não é feito apenas de gravações de actuações dos Doors, está ainda recheado de imagens da intimidade do grupo, algumas delas aparentemente raras e até exclusivas. Há partes que estão mesmo muito boas e que custa a crer que não é um actor a fazer de Jim no entanto, nenhuma das cenas foi recriada para o filme Nesse sentido When You're Strange é irrepreensível.

A narração é outro dos pontos que distingue este documentário.  Aquando da sua primeira exibição no festival de Sundance, o filme foi muito bem recebido mas a narração, então feita pelo realizador Tom DiCillo, recebeu algumas críticas por ser demasiado monocórdica e inexpressiva. Como resposta a essas queixas Johnny Depp substituiu Tom DiCillo na narração e o filme ganhou outra dimensão. 

A história, essa já todos os fãs da banda conhecem. É compreensível e penso que até inevitável que, ao contar a história dos Doors, esta se foque principalmente em Jim Morrison. When You're Strange não é excepção, mas não cai em exageros. Tom DiCillo procurou ainda um equilíbrio saudável no retrato que faz a Morrison - nem cria aquela imagem deificada de Jim Morrison o poeta nem foca demasiado Jimbo Morrison (nome que Manzarek deu ao 'lado sombrio' de Jim).

Jim Morrison era uma alma única e os dotes característicos de cada um dos membros dos Doors (as tendências blues e conhecimentos de flamenco de Robbie Kriegger, a educação clássica e identidade própria de Ray Manzarek  e o estilo jazz de John Densmore) formaram uma espécie de simbiose que resultou nalguma da melhor música que já viu a luz do dia. Este documentário é, de tudo o que já vi e li sobre os Doors, a obra definitiva no que toca a contar a sua história.

13bly

Friday, June 18, 2010

(Des)intermitências da morte

"Todos sabemos que cada dia que nasce é o primeiro para uns e será o último para outros e que, para a maioria, é só um dia mais."
 
José Saramago 
16/11/1922 - 18/06/2010
13bly

Saturday, December 19, 2009

Pirataria - em luta (pelo menos) desde 1981

Muito se fala hoje na pirataria, nos direitos de autor, nos lucros das editoras e na "queda" da indústria discográfica mas isso não é assunto novo. Muitos artistas se têm insurgido contra o monopólio.
Recorde-se o caso Radiohead que há um par de anos tanto deu que falar. Recorde-se também a compilação musical Dark Night of the Soul que incluía nomes como Pixies, Iggy Pop, The Flaming Lips ou David Lynch e que, por problemas legais com a EMI, foi editada como um CD virgem com uma nota a 'incentivar' o download ilegal.
Courtney Love que, para além de viúva de Kurt Cobain, foi vocalista dos Hole também tem uma palavrinha sobre o assunto. Não costumo ligar muito ao que sai da boca desta mulher mas desta vez vejo-me obrigado a reconhecer-lhe alguma razão.
"Today I want to talk about piracy and music.
What is piracy?
Piracy is the act of stealing an artist's work without any intention of paying for it.

I'm not talking about Napster-type software.
I'm talking about major label recording contracts."
- Courtney Love
Não são certamente casos únicos (o que não falta por aí são artistas a oferecer os seus trabalhos gratuitamente pela internet), são alguns dos que têm alguma visibilidade e impacto na indústria.
Curiosamente, ao contrário do que muitos possam pensar, esta batalha não é nova, não nasceu com a internet (embora esta a tenha fortalecido) e não é exclusiva a formatos digitais.


In God We Trust, Inc. é um EP dos míticos Dead Kennedys e conta já 28 anos de existência. Enquanto que a sua edição em vinil dividia as 8 faixas pelos dois lados do disco, na edição de cassete a totalidade das músicas está no lado A, ficando o lado B propositadamente vazio.
A mensagem que passa é a de um claro protesto contra a indústria que, bem vistas as coisas, os sustém. Algo tem de estar errado!

Caso se interessem pelo assunto vejam o vídeo que partilhei neste post e que, na minha opinião sistematiza bem o 'problema' e as 'soluções' ou 'caminhos alternativos' a percorrer sem cair em extremismos (tanto pelo lado das editoras como pelo dos piratas) .

13bly

Thursday, December 17, 2009

Eu queria escrever sobre isto, juro que sim...

... mas sinto-me completamente incapaz!



[first lines]
[Sound of a phone ringing]

Here's what's going to happen. I'm gonna read this, and you're gonna listen, and you're gonna stay on the line. And you're not gonna interrupt, and you're not gonna speak for any reason. Some of this you know. I'm gonna start at the top of the page.

[pause]

Meticulous, yes. Methodical, educated; they were these things. Nothing extreme. Like anyone, they varied. There were days of mistakes and laziness and in-fighting, and there were days, good days, when by anyone's judgment they would have to be considered clever. No one would say that what they were doing was complicated. It wouldn't even be considered new, except for maybe in the geological sense. They took from their surroundings what was needed and made of it something more.
Primer (2004)
13bly

Tuesday, November 10, 2009

«Há viagens sem regresso nem repetição.»

"Hoje já ninguém vai ao nosso deserto, Cláudia. Os fundamentalistas islâmicos, como os de Laghouat tornaram-se sanguinários e incontroláveis e os próprios tuaregues revoltaram-se contra o poder de Argel.

Mas a principal razão nem é essa. A razão principal é que já não há muita gente que tenha tempo a perder com o deserto. Não sabem para que serve e, quando me perguntam o que há lá e eu respondo "nada", eles riscam mentalmente essa viagem dos seus projectos. Viajam antes em massa para onde toda a gente vai e todos se encontram. As coisas mudaram muito, Cláudia! Todos têm terror do silêncio e da solidão e vivem a bombardear-se de telefonemas, mensagens escritas, mails e contactos no Facebook e nas redes sociais da Net, onde se oferecem como amigos a quem nunca viram na vida. Em vez do silêncio, falam sem cessar; em vez de se encontrarem, contactam-se, para não perder tempo; em vez de se descobrirem, expõe-se logo por inteiro: fotografias deles e dos filhos, das férias na neve e das festas de amigos em casa, a biografia das suas vidas, com amores antigos e actuais. E todos são bonitos, jovens, divertidos, "leves", disponíveis, sensíveis e interessantes. E por isso é quem vivem esta estranha vida: porque, muito embora julguem poder ter o mundo aos pés, não aguentam nem um dia de solidão. Eis porque já não há ninguém para atravessar o deserto. Ninguém capaz de enfrentar toda aquela solidão."

Miguel Sousa Tavares in 'No teu deserto'

13bly

Saturday, October 24, 2009

Nestes dias de chuva



Life
isn't about
waiting
for the storm
to pass,


it's about
learning
to dance
in the rain.


13bly

Sunday, October 11, 2009

"Sometimes human places, create inhuman monsters."

Here in the Overlook all times were one. There was an endless night in August of 1945, with laughter and drinks and a chosen shining few going up and coming down in the elevator, drinking champagne and popping party-favors in each other’s faces. It was a not-yet-light morning in June some years later and the organisation hitters ruthlessly pumped shotgun shells into the torn and bleeding bodies of three men who went through their agony endlessly. In a room on the second floor a woman lolled in her tub and waited for visitors.
Stephen King
in The Shining
13bly

Saturday, August 8, 2009

1984 (mil novecentos e oitenta e quatro)

Mil Novecentos e Oitenta e Quatro é, a par com O Triunfo dos Porcos, um dos romances mais aclamados de George Orwell e também como O Triunfo dos Porcos (que irei ler em breve), supera a definição de um 'simples' romance. Mil Novecentos e Oitenta e Quatro é mais que um romance e mais que uma análise/crítica político-social. É uma espécie de exercício de futurologia nesse mesmo campo.

Mais do que achar piada à história interessa, nesta obra, analisar e entender os conceitos que ela abrange. A política, o regime instaurado, as tensões sociais, as atitudes e motivações (ou falta delas) dos personagens.

George Orwell criou um mundo utópico com um governo totalitário e ultra-controlador e tudo em Mil Novecentos e Oitenta e Quatro ajuda ao enquadramento e à caracterização dessa época ficcional.

Mil Novecentos e Oitenta e Quatro é uma obra marcante que inspirou muitas outras mentes criativas dando origem a filmes (Equilibrium, Brazil...), livros (V for Vendetta...), programas de TV (descaradamente o Big Brother mas também muitos outros reality-shows), músicas (um sem número de artistas como Rage Against the Machine, Muse ou David Bowie) ...
Como previsão de um potencial futuro, Orwell não acertou na mouche, mas não é difícil de ver muito de Mil Novecentos e Oitenta e Quatro na sociedade, cultura e políticas actuais. O controlo pode não ser feito com câmaras e gravadores nas casas das pessoas, mas é feito através de registos multibanco, chips em matrículas (há já quem tenha chips de localização subcutâneos)ou câmaras de segurança em locais públicos (como estações, aeroportos, escolas, repartições de finanças...) para enumerar alguns.
A manipulação das notícias pode não ser tão descarado como em Mil Novecentos e Oitenta e Quatro, mas todos sabemos que existe algum controlo. Também a 'nossa' política de educação, não indo tão longe como a de Mil Novecentos e Oitenta e Quatro, pouco fomenta a criatividade e o pensamento construtivo/livre optando por uma formatação pouco cuidada. Para além disso, o mundo que Orwell criou encontra-se num estado de guerra constante. Será o nosso assim tão diferente?

Apesar das semelhanças há coisas que, actualmente e no nosso mundo, seriam impensáveis. Uma nova língua cujo vocabulário é decrescente por forma a limitar o pensamento; retirar o prazer ao sexo tornando-o uma tarefa necessária para a concepção de crianças; censura de praticamente tudo o que for cultural e artístico limitando toda a criatividade; manipulação do passado alterando os arquivos noticiosos e placas de monumentos entre outros; uma Polícia de Pensamento encarregue de deter todos os que tenham pensamentos impróprios (que vão contra as regras estabelecidas pelo governo) e uma política de educação que manipule as crianças desde a nascença retirando-lhes toda a personalidade e destruindo por completo o conceito de família.

Guerra é paz.
Liberdade é escravidão.
Ignorância é força.

Mil Novecentos e Oitenta e Quatro foi uma das obras que mais me marcou. Irei sem dúvida ler mais das obras de Orwell e também do seu "mentor", Aldous Huxley (principalmente Admirável Mundo Novo, ao qual Mil Novecentos e Oitenta e Quatro é tantas vezes comparado).


13bly

Sunday, July 5, 2009

"Tout est parfait en cet instant,

... la douceur de la lumière,
ce petit parfum dans l'air,
la rumeur tranquille de la ville.

Elle inspire profondément et la vie lui paraît alors si simple et si limpide qu'un élan d'amour comme un désir d'aider l'humanité entière la submerge tout à coup."

Yann Tiersen
hoje às 22h00 na Casa das Artes de Famalicão

13bly