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Tuesday, June 17, 2014

avulso - ... so i can't see you


... SO I CAN'T SEE YOU | Wynwood, Miami | Abril de 2014
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Wednesday, June 4, 2014

avulso - born in the usa


BORN IN THE USA | E Flager St., Downtown Miami | Abril de 2014
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Monday, May 19, 2014

avulso - miami by wes anderson


MIAMI BY WES ANDERSON | South Pointe Beach, Miami | Abril de 2014
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Saturday, June 22, 2013

avulso - things behind the sun


THINGS BEHIND THE SUN | fotografia analógica | Lisboa | Novembro de 2012
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Saturday, November 24, 2012

avulso - red sun no.5


RED SUN NO.5 | Eléctrico de Lisboa | Novembro de 2012
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Monday, November 12, 2012

avulso - set the controls for the heart of the sun


SET THE CONTROLS FOR THE HEART OF THE SUN | Elevador de Santa Justa, Lisboa | Novembro de 2012
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Thursday, October 4, 2012

avulso - à luz mais frágil da aurora/à sombra da cilada


À LUZ MAIS FRÁGIL DA AURORA/À SOMBRA DA CILADA | Caminho das Sardinheiras | Vale do Bestança, Cinfães | Setembro de 2012
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Thursday, September 20, 2012

avulso - it's always greener


IT'S ALWAYS GREENER | Hotel Adam & Eve | Belek, Turquia | Agosto de 2012
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Tuesday, September 4, 2012

avulso - a space odyssey


A SPACE ODYSSEY | Hotel Adam & Eve | Belek, Turquia | Agosto de 2012
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Saturday, May 12, 2012

O ano dos Dead Combo

Depois de, no ano passado, terem lançado Lisboa Mulata (um dos meus favoritos), os Dead Combo andaram sempre em alta. Agora, em pleno 2012 quase se pode afirmar que este ano vai ser deles. Este post surge na sequência de uma série de acontecimentos que envolvem a dupla lisboeta.

O primeiro desses acontecimentos foi o concerto incrível que os Dead Combo deram no C.C. Vila Flor no passado Sábado. Nesse concerto, Tó Trips e Pedro Gonçalves trouxeram consigo alguns dos nomes que abrilhantaram Lisboa Mulata. Assim, junto com a Royal Orquestra das Caveiras, as Víboras do Chiado, Alexandre Frazão e Camané, os Dead Combo apresentaram o seu mais recente disco e passaram em revista a sua respeitável carreira.

Uma semana depois do concerto ainda me custa a crer que tenha assistido a um espectáculo daquele calibre. Embora já não faça grande sentido escrever uma 'crítica completa' ao concerto (não tive mesmo tempo para isso), não posso deixar de dizer que, até à data, este foi para mim o concerto do ano. Todas as participações foram importantes mas, como já tinha visto os Dead Combo com a Orquestra das Caveiras fiquei especialmente fascinado com as skills de bateria do Alexandre Frazão e com a voz poderosa do Camané. Em cerca de duas horas e meia de concerto praticamente sem interrupções, Tó Trips e Pedro Gonçalves, nas peles de um cangalheiro e um gangster, provaram que são uma das melhores bandas de sempre neste nosso Portugal (e além fronteiras - já lá vamos.).



O segundo acontecimento que vale a pena destacar é a participação (e especialmente as repercussões dessa participação) de Tó Trips e Pedro Gonçalves no episódio de No Reservations (programa sobre viagens e gastronomia) que Anthony Bourdain gravou em Lisboa (Carminho e Tózé Brito também foram destaque do programa). Catapultados por essa participação, os Dead Combo escalaram rapidamente as tabelas de músicas no mundo no iTunes e chegaram mesmo a colocar três discos no top 10 dos EUA. Está lançada a sua carreira internacional, esperemos que a dupla consiga agarrar essa oportunidade e fazer sucesso além-fronteiras por mérito próprio, desvinculando-se do rótulo de sucesso-efémero-por-causa-de-programa-de-TV. Eles bem o merecem e talento para isso não lhes falta. Força!

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Wednesday, January 11, 2012

Audiovisual XII - Jellyfish Lake


Era uma vez um lago situado na ilha Eli Malk, algures na distante República de Palau (Micronésia). Há uma carrada de anos, com a descida do nível do oceano, milhares de alforrecas ficaram lá presas. Uma vez desligadas do oceano estas criaturas fascinantes deixaram também de ter predadores naturais e portanto, com o passar dos anos desenvolveram uma relação simbiótica com as algas do lago e foram perdendo o ferrão. Hoje, é possível mergulhar e nadar entre elas sem quaisquer problemas (apenas uma irritação ligeira em peles sensíveis). Há coisas fantásticas, não há?

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Wednesday, October 12, 2011

avulso - por terras de Miranda

avulso (latim avulsus, -a, -um, separado, arrancado)
adj.
isolado, solto, desconexo, desirmanado.
Catedral de Miranda do Douro
Local - Miranda do Douro
Data - 6 Ago 2011
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Wednesday, September 14, 2011

avulso - Olhas como que através de mim, cada fissura e imperfeição.

avulso (latim avulsus, -a, -um, separado, arrancado)
adj.
isolado, solto, desconexo, desirmanado.

Local - MIranda do Douro
Data - 06 Ago 2011
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Thursday, January 6, 2011

Ode a Lisboa



Se uma imagem vale mais do que mil palavras este vídeo vale mais do que 500 discursos de Fidel Castro a tecer louvores à cidade das sete colinas. Este é - e digo-o com convicção - um dos melhores vídeos que já vi (a música ajuda, mas o vídeo é absolutamente brilhante). Arrepio-me ao vê-lo e quase dá vontade de acabar de vez com as brincadeiras nortenhas anti-Lisboa e deixar-me simplesmente seduzir pelos encantos desta bonita cidade.

Ai Lisboa, Lisboa...

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Thursday, September 23, 2010

Inspirado pela Islândia


Quem me conhece sabe que a Islândia é um dos meus destinos de sonho. Muito graças aos Sigur Rós e ao seu documentário Heima, ganhei um fascínio enorme por esse país tão radicalmente diferente do nosso. Um país, o seu povo e costumes são moldados às suas condições climatéricas e geográficas. Nisso, a Islândia é um país único e essa é precisamente uma dos coisas que mais me seduz.

Tive há pouco tempo a oportunidade de dar lá um saltinho mas por este ou aquele motivo a viagem acabou por não se realizar. Apesar de tudo, a vontade é maior do que nunca e a esperança ainda está bem de saúde e recomenda-se.


Segue o brilhante vídeo promocional de uma campanha de sensibilização turística para que, como eu, se deixem seduzir e inspirar pela Islândia. Depois é clicar na imagem para ver mais coisas bonitas e, eventualmente, planear uma viagem. O vídeo é musicado por Emilíana Torrini que, apesar do nome enganador, é islandesa de gema.


... um dia, Islândia... um dia...
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Thursday, August 26, 2010

Vi-me grego!

Esta minha semana de ausência bloguística foi passada em Cós (Κως), uma pequena mas bonita e acolhedora ilha de grega pertencente ao grupo de ilhas Dodecanesas. Infelizmente a minha mobilidade esteve um pouco reduzida e não pude expandir a minha visita a ilhas vizinhas (como Rodes ou Patmos) ou até dar um saltinho a Bodrum na Turquia que fica a uns míseros 4 km de Cós e que aliás, tinha já visitado há uns anos.

Esta pequena ilha (sensivelmente 40 quilómetros de comprimento por 8 de largura) é conhecida como a terra natal de Hipócrates que é frequentemente apelidado de 'o pai da medicina'. A sua importância para a medicina moderna é tal que, ainda hoje os médicos se regem pelas linhas éticas definidas pelo famoso Juramento de Hipócrates. Mas chega de lições de história.

Hoje em dia Cós é uma ilha ainda relativamente pouco explorada pelo turismo e nota-se que tem tendência a crescer neste sentido. Efectivamente quase todas as suas localidades são pequenas vilas piscatórias ou aldeias no meio de uma imponente montanha que se ergue perto do centro da ilha. Em oposição com essas vilas ainda bastante rurais estão os muitos empreendimentos hoteleiros em construção. De entre as localidades destaca-se a 'capital' que dá o nome à ilha. Cós (a 'cidade') recebe diariamente dezenas de barcos carregados de turistas, sejam cruzeiros ou ferries oriundos de ilhas próximas ou da Turquia que fica mesmo ali ao lado.

Durante o Verão a ilha é invadida por turistas e as estradas e caminhos de terra ficam recheadas de carros, buggys, moto-quatros e lambretas alugadas. O aluguer de veículos parece até ser o negócio mais frutífero da ilha, pelo menos durante a época turística. Nos restantes 6 meses do ano é como se a ilha hibernasse - quase todos os restaurantes e lojas fecham e a população da ilha reduz-se aos cerca de 30.000 habitantes que recarregam energias para uma nova época de turismo.

Se ignorarmos o relevo consideravelmente mais acidentado, Cós aproxima-se um pouco do nosso Alentejo - a vegetação, o clima quente e a pachorrentice dos seus habitantes tornam essa comparação possível. Dado o clima, a já referida pachorrentice é compreensível, mas toma contornos hilariantes quando se entra numa loja para comprar um qualquer recuerdo mais ou menos tradicional e se tem de procurar o lojista para pagar ou se apanha a senhora a dormir ao balcão e esta acorda e dá um grito assustado desatando à gargalhada de seguida. Tirando essa predisposição natural para a moleza, os habitantes de Cós são extremamente simpáticos e solícitos. Preocupam-se com o turista e mesmo que não falem inglês têm sempre um sorriso e um 'Kalimera' ("Bom dia!" em grego) para dar.

Foi pena não aproveitar a viagem e conhecer ainda que superficialmente outras ilhas ali da redondeza, mas como já disse, as circunstâncias não o permitiram. Foram portanto umas férias um pouco mais paradas do que gostaria e do que estou habituado mas não digo isto em tom de queixa pois ainda assim desfrutei desta belíssima semana e gostei bastante de Cós. Pode ser que no futuro surja a oportunidade de conhecer mais da Grécia e do seu povo simpático.

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Friday, August 13, 2010

Caros amigos,

... vou de férias!

BOAS FÉRIAS PARA TODOS!!

Levo duas amigas e volto dia 22. Até lá isto vai estar parado.

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Tuesday, November 10, 2009

«Há viagens sem regresso nem repetição.»

"Hoje já ninguém vai ao nosso deserto, Cláudia. Os fundamentalistas islâmicos, como os de Laghouat tornaram-se sanguinários e incontroláveis e os próprios tuaregues revoltaram-se contra o poder de Argel.

Mas a principal razão nem é essa. A razão principal é que já não há muita gente que tenha tempo a perder com o deserto. Não sabem para que serve e, quando me perguntam o que há lá e eu respondo "nada", eles riscam mentalmente essa viagem dos seus projectos. Viajam antes em massa para onde toda a gente vai e todos se encontram. As coisas mudaram muito, Cláudia! Todos têm terror do silêncio e da solidão e vivem a bombardear-se de telefonemas, mensagens escritas, mails e contactos no Facebook e nas redes sociais da Net, onde se oferecem como amigos a quem nunca viram na vida. Em vez do silêncio, falam sem cessar; em vez de se encontrarem, contactam-se, para não perder tempo; em vez de se descobrirem, expõe-se logo por inteiro: fotografias deles e dos filhos, das férias na neve e das festas de amigos em casa, a biografia das suas vidas, com amores antigos e actuais. E todos são bonitos, jovens, divertidos, "leves", disponíveis, sensíveis e interessantes. E por isso é quem vivem esta estranha vida: porque, muito embora julguem poder ter o mundo aos pés, não aguentam nem um dia de solidão. Eis porque já não há ninguém para atravessar o deserto. Ninguém capaz de enfrentar toda aquela solidão."

Miguel Sousa Tavares in 'No teu deserto'

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Monday, September 14, 2009

Literatura de férias


Estas férias a literatura saiu privilegiada e ocupei bastante do meu tempo com bons livros muito.
Poderia fazer um post individual com com cada uma destas obras. De certeza que não me faltaria assunto mas, em jeito de resumo, vou deixar apenas uns apontamentos curtos sobre os livros que li.


Depois de ter gostado de mil novecentos e oitenta e quatro como gostei não podia deixar de ler aquela que é outra das obras mais aclamadas de George Orwell. O Triunfo dos Porcos (ou Animal Farm na versão original conforme eu li) conta a história dos animais de uma quinta que se revoltam contra o 'regime tirano do Homem'.
O enquadramento histórico tem nesta obra uma grande importância nesta obra pois, como o próprio autor a caracterizou, Animal Farm é um romance 'contre Staline' e, dito isto, não é nada difícil fazer o paralelismo entre a Quinta Animal (como foi baptizada após a revolução) e a União Soviética de Staline.

Os porcos foram os mentores da revolução, mas estes rapidamente se viram corrompidos pelo poder (pois, por serem os mais inteligentes ficaram também na administração da quinta) e começaram a deturpar os valores de igualdade que inicialmente defendiam para benefício próprio. O regime comunista inicialmente idealizado transforma-se então numa espécie de ditadura autoritária na qual os intervenientes vão sendo sucessivamente manipulados.

A história é contada ao estilo de uma fábula (ou não fossem quase todos os personagens animais) e cada animal corresponde a uma classe politico-social (essa correspondência pode ser consultada em detalhe aqui). Isto, aliado à actualidade da obra, faz de Animal Farm uma acutilante caricatura social carregada de significâncias políticas.

A Arte da Guerra de Sun Tzu (século 6º a.C.) é um tratado chinês de estratégias militares que está organizado em 13 capítulos, cada um dos quais aborda um aspecto da guerra. É uma espécie de livro de conselhos muito genérico que pode ser extrapolado a muitas situações da vida que não a guerra propriamente dita (isso é particularmente notável no mundo empresarial havendo inclusivamente uma edição chamada "A Arte da Guerra aplicada ao Marketing").

É um livro de grande importância na História pois influenciou a forma de pensar ocidental e a sua forma de encarar a guerra. Muitos líderes, generais ou estrategas famosos tomaram decisões importantes sob influência dos ensinamentos de Sun Tzu.

A Arte da Guerra é pequeno e de leitura fácil, pois para além da divisão nos 13 capítulos, estes estão escrito por pontos, cada um deles representando um conselho a seguir. É portanto uma obra de leitura obrigatória e cujos ensinamentos devem ser acatados.


William Blake disse: "If the doors of perception were cleansed every thing would appear to man as it is, infinite.", Aldous Huxley ficou curioso e experimentou mescalina, Jim Morrison (e muitos outros dessa geração) inspirou-se e nasceram os The Doors.
Foi mais ou menos esta cadeia de acontecimentos que me despertou a curiosidade de ler As Portas da Percepção. Os 'Doors' são uma das minhas bandas favoritas de todos os tempos e portanto seria indispensável conhecer as suas origens.

Aldous Huxley, nascido a 1894, foi um notável escritor e académico inglês e é considerado como que o pai de toda uma cultura psicadélica e geração de beatnicks. Este acreditava nos benefícios espirituais do consumo de mescalina e a determinada altura da sua vida surgiu-lhe a oportunidade de consumi-la num ambiente controlado com a presença de um psicólogo. As Portas da Percepção não é mais que o registo das sensações e experiências vividas nessa sessão.

Céu e Inferno, é uma outra obra de Huxley habitualmente editada em conjunto com As Portas da Percepção dada a temática comum. Esta segunda obra dedicada à mescalina é um ensaio ou uma dissertação filosófica que relaciona as visões frequentes do consumo das drogas psicotrópicas com uma experiência mística e espiritual. Ele defende que o consumo dessas drogas pode possibilitar a exploração daquilo a que ele chama 'os antípodas da mente' (as regiões inexploradas).

Neste fascinante ensaio são abordados temas desde a arte à religião e compara os efeitos do consumo da mescalina com o jejum, a auto-flagelação, o ioga, a adrenalina ou qualquer outro factor capaz de modificar a percepção do ser humano. Acaba por ser irónico que eu tenha comprado este livro com a ambição de ler As Portas da Percepção e tenha acabado a gostar mais de Céu e Inferno.

A Viagem do Elefante foi o segundo livro que li de Saramago tendo o primeiro sido o Ensaio Sobre a Cegueira e o contraste dificilmente poderia ter sido maior. No Ensaio Sobre a Cegueira fui surpreendido por Saramago graças à sua linguagem precisa e acutilante. A escrita nessa obra denotava uma visão (que belo trocadilho) algo redutora da humanidade e a temática era bem pesada e densa (não deixando nunca de ser de 'leitura fácil'). N'A Viagem do Elefante, Saramago volta a surpreender-me apresentando um registo bem relaxado e bastante bem humorado com várias tiradas que me fizeram esboçar um sorriso ou até soltar uma saudável gargalhada.

É de louvar a capacidade que Saramago demonstra de se transformar de uma forma tão radical, especialmente dado o precário estado da sua saúde aquando da escrita desta obra. É certo que a crítica ao ser humano não é posta de lado, mas a sua abordagem é muito mais ligeira.
Confesso estar ansioso por ler uma terceira (e talvez mais) obra de Saramago para poder confirmar, não a sua qualidade que essa é inegável, mas a sua versatilidade como escritor.



Segue-se A Luz de Stephen King (também conhecido como The Shining)

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Tuesday, September 8, 2009

Fotoresumo IV - Israel e Palestina

O último fotoresumo desta viagem é dedicada a Israel e à Palestina ou, mais precisamente, Jerusalém e Belém. Infelizmente apenas passei um dia nestas cidades pelo que foi tudo visto um pouco a correr. Jerusalém é uma cidade riquíssima e facilmente se passariam lá dois ou três dias sem se ficar aborrecido.
Ambas as cidades são consideradas santas uma vez que são o local de grande parte dos eventos bíblicos e são também tão próximas uma da outra que a passagem de entre elas seria imperceptível não fosse o horrendo muro de 9 metros que as separa.













A longuíssima viagem de autocarro entre Sharm-el Sheik e Jerusalém foi carregada de emoções. Ninguém sabia o que esperar da fronteira com Israel e o nervosismo era quase palpável. Esse nervosismo foi amplificado pois o guia egípcio não nos podia acompanhar no processo da travessia e estaria um guia israelita à nossa espera do outro lado, para além disso ele deu alguns conselhos sobre como interagir com os militares que provocou ainda mais intimidação. Por estranho que possa parecer, a passagem fronteiriça foi bastante tranquila e os militares que lá se encontravam a fazer o controle eram até bastante simpáticos (já o mesmo não se pode dizer das autoridade egípcias dessa fronteira) e a chegada a Jerusalém ocorreu sem nenhum percalço.

A primeira paragem foi no Monte das Oliveiras para uma lindíssima vista sobre a cidade (1ª foto) com a Cúpula da Rocha em claro destaque. Facilmente se fica maravilhado com o emaranhado de casas, igrejas, mesquitas, sinagogas e outros locais de culto no interior da muralha. Jerusalém é acima de tudo uma mistura de culturas e religiões, a cidade está dividida em quatro bairros (muçulmano, cristão, judeu e arménio) e a transição entre estes é tão discreta que tão depressa estamos num como, quase sem nos apercebermos, estamos noutro.

A entrada na cidade foi feita pelo famoso Muro das Lamentações (2ª foto) que, devo confessar, me desiludiu um pouco pois era bastante mais pequeno do que o imaginava. Não permaneci lá muito tempo pois incomodou-me o circo em que transformam aquilo. Não sou pessoa de grande religiosidade, mas respeito quem é e a experiência de ver pessoas completamente compenetradas em oração enquanto se ouvem dezenas de disparos de máquinas fotográficas não foi de todo confortável para mim.
É engraçado ver aqueles judeus ultra-ortodoxos com as suas roupas negras, chapéus e cabelos estranhos, mas é acima de tudo estranho pensar que se alguns já usam telemóvel, muitos há ainda que nem um jornal leram na vida quanto mais televisão ou internet.

Seguiu-se uma longa caminhada pelas sinuosas e labirínticas ruas de Jerusalém (3ª foto) atravessando os vários bairros através de ruas estreitas, passagens superiores e inferiores, entradas de templos que levam a outras ruas... É verdadeiramente fascinante toda aquele novelo de ruas que se ligam entre si e a cada esquina surge a possibilidade de darmos de frente com um monumento (a 4ª e 5ª fotos servem de exemplo) seja ele uma igreja, mesquita ou sinagoga, uma estátua ou uma simples e deliciosa rua rústica com alfarrabistas ou merceeiros.

Jerusalém, como é sabido, é o local da crucificação, morte e ascensão de Jesus Cristo e todos esses sítios podem ser visitados como uma autêntica indústria de turismo religioso. Pode tocar-se na pedra onde estava a cruz, nos pregos da mesma, pode lavar-se a pedra onde o corpo ensanguentado de Cristo esteve deitado, visitar o seu túmulo e reviver-se os últimos sofrimentos de Cristo fazendo a Via Dolorosa (há quem o faça carregando uma cruz de madeira às costas) e parando nas nove estações representativas de acontecimentos relevantes da sua caminhada (6ª foto).

A manhã terminou com uma visita ao Cenáculo, local da Última Ceia, no Monte Sião, convertida numa mesquita pelos Otomanos algures nos meados do milénio. A essa visita seguiu-se o almoço e, logo depois era hora de passar 'o muro' para visitar a Igreja da Natividade em Belém, na Palestina.

O imponente e intimidador muro ergue-se a uma altura de 9 metros e alonga-se por uma extensão de 600 quilómetros (7ª foto), separando completamente Israel da região da Palestina. Mais uma vez o guia israelita não podia passar pelo que cabia a cada um atravessar o assustador monstro de betão. É uma experiência única, depois de passar umas portas giratórias metálicas e o muro propriamente dito surge um corredor gradeado e coberto de arame farpado (8ª foto) que tem de ser atravessado. Mais parecíamos animais a caminhar para o matadouro do que turistas.

O 'interior' do muro é bastante mais interessante do que o seu 'exterior'. As paredes do lado da palestiniano do muro estão recheadas de mensagens de liberdade e inconformismo (9ª e 10ª fotos). Artistas conhecidos como Roger Waters ou Banksy já lá deixaram a sua marca e podem ler-se palavras de ordem como "Fear builds walls, love builds bridges" com imagens representativas ou citações da magnífica obra dos Pink Floyd 'The Wall'. É deveras inspirador ver que nem todos se conformam face a uma atrocidade daquelas dimensões.

À passagem do muro nota-se claramente que chegamos a um outro sítio, o aspecto das ruas é logo outro, tudo é muito menos cuidado do lado da Palestina. Compreende-se.
Em Belém o que há para visitar é a Igreja da Natividade (10ª e 11ª fotos) e foi o regresso da indústria de turismo religioso. Demoradas filas para descer ao local onde antes estivera o celeiro onde nasceu Cristo (pois entretanto foi construído um templo sobre ele) e tocar na estrela que marca o local exacto do seu nascimento ou para ver o local onde antes estivera manjedoura onde foi deitado após o nascimento.

Após tudo isto era hora de atravessar novamente o muro regressando assim a Israel para iniciar o caminho de volta ao Egipto. Repetem-se as formalidades fronteiriças e dito isto, resta acrescentar que Jerusalém foi uma cidade que me surpreendeu pela positiva. Fiquei verdadeiramente fascinado pelo seu encanto e pelo ambiente de História que se respira por todo o lado. É sem sombra de dúvidas uma cidade que gostaria de poder visitar com mais calma e assim desfrutar dela como ela merece.

FIM
(e neste post abusei um bocadinho)

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