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Friday, April 27, 2012

Se Deus tivesse um leitor de DVD...

... de certeza que isto faria parte da Sua videoteca!
(e que todas estas músicas estariam no Seu mp3, caso o tivesse)


13bly

Wednesday, June 9, 2010

Até os ossinhos batem palmas!!

O Público é amigo da cultura. Quanto a isso não devem restar dúvidas - ele é o suplemento ípsilon, as brilhantes colecções de DVDs , bandas desenhadas, colecções de literatura clássica etc. Ontem, o Público apoiou mais um lançamento de grande qualidade. Falo do DVD dos Dead Combo com imagens e som recolhidos em dois concertos que deram no ano passado no Jardim de Inverno do Teatro São Luiz acompanhados pela Royal Orquestra das Caveiras. Um lançamento a não perder não só para os fãs da banda mas para os melómanos em geral.


A quem não conhece os Dead Combo aconselho-os a passar algum tempo a na companhia da sua música. Com cheirinhos a western e condimentos latinos mas sem esquecer as suas raízes, esta dupla composta por Tó Trips e Pedro Gonçalves é responsável por alguma da melhor música criada neste pequeno jardim à beira mar plantado.

13bly

Wednesday, May 26, 2010

Série Ípsilon XIII - L'Esquive

Depois de alguns posts mais dedicados ao pequeno ecrã, voltei à 7ª arte procurando terminar esta demanda a que me propus. Assim, sem saber do que tratava, peguei no filme que pelos vistos foi o grande vencedor dos prémios César de 2003 - L'esquive, do realizador tunisino Abdellatif Kechiche.
L'esquive retrata algumas das vicissitudes do amor que são, neste caso específico, algo agravadas pela imaturidade dos intervenientes. Krimo namorava com Magalie que, no início do filme, põe termo à relação entre os dois. No seguimento do fim dessa relação, Krimo acaba por se apaixonar por Lydia, sua amiga de infância.

De forma a impressionar e conquistar Lydia, Krimo arranja forma de se inserir na peça de teatro que esta e alguns amigos estavam a encenar no contexto das aulas de francês. A peça, do dramaturgo francês Pierre de Marivaux, era Le Jeu de l'Amour et du Hasard (O Jogo do Amor e do Acaso) e aquilo que achei mais interessante no filme foram precisamente os paralelismos ou antíteses entre os personagens do filme e os da peça de teatro que encenam.
O que mais salta 'à vista' neste filme é a constante tagarelice e gritaria das raparigas. Essas muitas e longas cenas chegam a ser irritantes de tanta gritaria sem sentido. A isso junta-se uma história algo insossa e pouco estimulante e o que se obtém (para mim) é um filme que não passa de sofrível apesar de alguns pormenores de realização interessantes.

Ponto da situação
I - Juno
II - Control
III - About Schmidt
IV - Le schaphandre et le papillon
V -Mon Oncle
VI - Valmont
VII - Mysterious Skin
VIII - Tess (1)
IX - El Cielo Gira
X -2 Days in Paris

XI - Climas
XII - The Last Days
XIII - L'Esquive
XIV - 24 Hour Party People (2)
XV -Europa
XVI - Land of Plenty (2)
XVII - Yadon Ilaheyya (2)
XVIII - The Station Agent (2)
XIX - L'Enfant (2)
XX -The Magdalene Sisters (3)

(1) Assim que encontrar o DVD | (2) Em breve | (3) Ainda não lançado
13bly

Wednesday, May 5, 2010

Série Ípsilon XI - Iklimler

Em português chama-se Climas e é o quarto filme do realizador turco Nuri Bilge Ceylan. Ceylan retrata o relacionamento entre Isa e Bahar (representados respectivamente pelo próprio Ceylan e a sua esposa) com uma sensibilidade que alguns aproximaram a Antonioni ou a Bergman.
Climas tem uma história extraordinariamente simples. Podia literalmente contar toda a história do filme em meia dúzia de linhas sem me escapar grande coisa pois na verdade não acontece muita coisa durante aqueles 97 minutos.

Os planos são geralmente muito parados fixando as paisagens ou os actores e permitindo assimilar o ambiente e as expressões e sentimentos dos personagens. Uma das cenas iniciais é verdadeiramente fantástica com Bahar a passar de um sorriso algo nostálgico e ternurento para um rosto a escorrer lágrimas de uma mágoa e tristeza profundos. Os diálogos são esparsos e curtos contrariamente aos silêncios que são longos e abundantes. Talvez numa tentativa de equilibrar a ausência de diálogos há imensos momentos em que sons à partida insignificantes são amplificados tornando o silêncio um pouco menos desconfortável.

Ceylan filmou em HD e por isso, desde as bonitas paisagens turcas aos pormenores como o suor no corpo de Bahar ou os flocos de neve na parte final do filme, tudo é muito vívido. O desenlace é inesperado e melancólico e faz um belíssimo contraste com o início do filme mostrando o quanto os sentimentos, imprevisíveis tal e qual o clima, podem mudar.

Climas
é uma espécie de poema declamado por imagens e sons mais do que por palavras e talvez por isso não seja um filme para qualquer um. Ainda assim, aconselho-o a quem achar que poderá ter sensibilidade para desfrutar dele.

Ponto da situação
I - Juno
II - Control
III - About Schmidt
IV - Le schaphandre et le papillon
V -Mon Oncle
VI - Valmont
VII - Mysterious Skin
VIII - Tess (1)
IX - El Cielo Gira
X -2 Days in Paris

XI - Climas
XII - The Last Days
XIII - L'Esquive (2)
XIV - 24 Hour Party People (2)
XV -Europa
XVI - Land of Plenty (2)
XVII - Yadon Ilaheyya (3)
XVIII - The Station Agent (3)
XIX - L'Enfant (3)
XX -The Magdalene Sisters (3)

(1) Assim que encontrar o DVD | (2) Em breve | (3) Ainda não lançado
13bly

Monday, April 26, 2010

Série Ípsilon XV - Europa

Lars von Trier é um realizador excêntrico. Graças a Idioten (1994), pode ser considerado como o principal impulsionador da inclusão de cenas de sexo não simulado em filmes não pornográficos. Europa (1991) também não foi isento de polémicas pois, apesar da boa prestação do filme no Festival de Cannes desse ano (Melhor Contributo Artístico, Grande Prémio Técnico e Prémio do Júri), von Trier abandonou a sala com algum aparato ao saber que não venceu a Palma de Ouro.

Europa pode ser considerado como um filme da II Guerra Mundial (assunto muito frequente no cinema), no entanto a sua temática é pouco explorada. Lars von Trier optou por contar uma história pós-guerra tendo como fundo a reconstrução da Alemanha num ambiente de grande tensão graças aos "Lobisomens" - o último grupo de resistência Nazi.

O protagonista é um jovem descendente de alemães que veio ajudar a Alemanha na sua recuperação e arranja emprego na companhia de comboios Zentropa (nome que foi aliás adoptado pelo filme na sua versão americana). Como revisor de um vagão-cama luxuoso e apesar das suas boas intenções, Leonard Kessel vê-se manipulado por todos à sua volta e acaba por envolver-se em mais uma esquema dos Lobisomens para minar a libertação da Alemanha.

Tanto a nível estético como técnico o filme é uma obra prima. O visual de Europa é muito próprio e deve-se principalmente à misturas de cenas a preto e branco com cenas a cores (dois anos antes de Spielberg o fazer com A Lista de Schindler) aliada à utilização frequente de fundos projectados com os quais os personagens interagem.

A forma como o filme é narrado também é única. Trata-se de um narrador omnipresente que dirige os acontecimentos como uma sessão de terapia fazendo o paciente avançar no tempo na sua memória por hipnose.

No meio de todo o perfeccionismo técnico-visual de Lars von Trier, a história acaba por ser, para mim, um dos pontos menos fortes do filme. Apesar de tudo consegue assegurar momentos de tensão e emoção genuínos que, em conjunto com a estética única do filme, proporcionam uma experiência agradável.

13bly

Tuesday, April 20, 2010

Série Ípsilon IX - El Cielo Gira

Um aviso para quem quiser ver este filme: não o façam se se sentirem ensonados.

El Cielo Gira
é uma espécie de documentário sobre o isolamento e desertificação de uma aldeia do Norte de Espanha. Com este filme - o seu primeiro - Mercedes Álvarez venceu uma série de prémios em diversos festivais 'menores'.
Este filme não conta uma história e apesar de ter algumas linhas de narração feitas pela própria realizadora estas não me pareceram muito relevantes. É simplesmente um retrato da vida numa das muitas aldeias perdidas em zonas rurais bem longe do litoral, talvez por isso mesmo - para transmitir o marasmo dessas aldeias - o filme seja tão parado e, digo mesmo, aborrecido.

Se calhar não tenho sensibilidade para este tipo de cinema, mas a verdade é que achei o filme extremamente entediante. Um documentário assim conta geralmente com uma narração coerente que, em conjunto com a imagem e os testemunhos dos habitantes mobiliza alguma empatia para toda a situação deste isolamento e abandono extremos. El Cielo Gira, no entanto, teve uma abordagem diferente e, dada a ligação pessoal que Mercedes Álvarez tinha com a aldeia, o documentário tornou-se algo mais íntimo o que nem sempre é mau mas, neste caso, o preço a pagar foi (para mim) demasiado grande o aquela (pouco mais de) hora e meia de filme foi verdadeiramente custosa.
O que achei curioso neste documentário foi o paralelismo que existe com a situação portuguesa e as (também muitas) aldeias em situação semelhante existentes no interior de Portugal. Recorde-se aliás o belíssimo trabalho de Jorge Pelicano* em Ainda Há Pastores? ou até no mais recente e muito falado Pare, Escute e Olhe (que ainda não tive o prazer de ver) que retratam também o isolamento da vida rural no "Portugal profundo".

Já que se fala em locais abandonados e em documentarismo português, aproveito para fazer uma breve referência a Ruínas de Manuel Mozos - um retrato algo poético de diversos espaços esquecidos pelo tempo.

13bly

*Jorge Pelicano será em breve entrevistado pelo também realizador e apaixonado por cinema, Helder Magalhães.

Wednesday, April 14, 2010

Série Ípsilon X - 2 Days in Paris

Já que a lógica sequencial desta rubrica foi ao ar no post anterior, a partir de agora e até conseguir acompanhar o ritmo dos lançamentos, a ordem vai ser praticamente aleatória. Isto no fundo é apenas para justificar o facto de ter visto 2 Days in Paris antes de Tess (de Roman Polanski) e de El Cielo Gira (de Mercedes Álvarez).
2 Days in Paris é uma espécie de comédia romântica protagonizada por Adam Goldberg e Julie Delpy. Esta última, para além desempenhar um dos papeis principais, assume mil-e-uma outras funções atrás da câmara (realização, edição, música, argumento e produção).

Parece-me ainda relevante recordar que Julie Delpy foi a protagonista do aclamado Before Sunrise (1995) de Richard Linklater e, quase 10 anos depois, da sua sequela Before Sunset (2004) - também eles romances passados em Paris. Essa experiência terá com certeza inspirado e influenciado de alguma forma este seu filme.

Passando então ao que realmente importa, é o seguinte: Jack e Marion são um casal apaixonado a aproveitar os seus últimos dias de férias antes de regressar a Nova Iorque. Decidem portanto ir passar dois dias a Paris e visitar a família e amigos de Marion resultando numa sequência infindável de situações desconfortáveis para Jack (que não falava francês).

Não tenho assim muito a dizer sobre 2 Days in Paris. Não me encheu as medidas mas é um filme divertido. A partir de metade começa a tornar-se cansativo devido a um excesso de diálogos frequentemente cruzados (raio dos franceses que não se calam). Apesar disso, as falas e as situações em si conseguem manter-se engraçadas não sendo portanto necessário "fazer esforço" para levar o filme até ao fim. Aliás, seria injusto da minha parte não dizer que 2 Days in Paris é agradável e que tem várias cenas que achei até interessantes, simplesmente não me pareceu estar ao nível dos filmes que já vi desta colecção.

13bly

Friday, April 9, 2010

Série Ípsilon XII - The Last Days

Por motivos especiais saltei à frente quatro filmes nesta série e vi The Last Days, um documentário de 1998 sobre os horrores do holocausto e dos campos de concentração da II Guerra Mundial. Esta produção foi apoiada por Steven Spielberg e pela Shoah Foundation (que ele próprio havia fundado anos antes quando concluiu o aclamado Schindler's List) e acabou por vencer o Oscar de Melhor Documentário nesse ano.
Qualquer documentário beneficia fortemente quando a história pode ser contada na primeira pessoa. The Last Days é um desses casos pois conta com o testemunho de cinco sobreviventes que, a muito custo, relatam os terríveis eventos pelos quais passaram na década de 40. Esses sobreviventes são ainda levados a revisitar as suas terras natais e os vários locais para onde os nazis os levaram incluindo o infame campo de concentração de Auschwitz.
Todos os relatos são emocionantes sem chegarem a ser lamechas - são sentidos. Mas o mais inspirador é que, apesar de alguns acessos pontuais de lágrimas, qualquer dos sobreviventes narra a sua história com uma clareza e precisão impressionantes.

O destaque vai obviamente para os cinco sobreviventes, mas The Last Days conta ainda com a participação de alguns soldados americanos que pertenceram ao destacamento que libertou o campo de Dachau, um soldado nazi encarregue de recolher os corpos das câmaras de gás em Auschwitz e um médico que trabalhou nesse mesmo campo a fazer experiências com as mulheres. Estes trazem testemunhos que são também intensos e carregados de emoção vindo, quase sempre, confirmar o que os sobreviventes já tinham dito.

O Holocausto é uma "história" que, melhor ou pior, já todos conhecemos mas, quando é contada por alguém que viveu realmente a situação, todo o sentimento de revolta parece aguçar-se. Para além disso, o documentário é acompanhado por imagens de arquivo que vão ilustrando o que os sobreviventes contam. Muitas das imagens são, como seria de esperar, chocantes.
Talvez seja essa a única forma de contar uma história tão horrível e no fundo é isso mesmo que The Last Days faz - conta uma história na primeira pessoa de forma emocionante e emocionada. Quando assim é, tudo parece bater com mais força. É, sem dúvida, um excelente documentário.


13bly

Tuesday, April 6, 2010

Série Ípsilon VII - Mysterious Skin

Chegou a vez de Mysterious Skin, o primeiro filme desta série do qual nunca tinha ouvido falar. Aproveitando ao máximo o efeito surpresa, optei por não investigar minimamente o filme ignorando toda a informação que me pudesse aparecer à frente (incluindo a sinopse).

Reconheci algumas caras, mas apenas consegui situar o protagonista - Joseph Gordon-Levitt, que para mim será sempre "o miúdo do 3º Calhau a Contar do Sol". Para além disso, como já referi, desconhecia totalmente a temática do filme e o trabalho do realizador, Gregg Araki. Tudo isso terá jogado em conjunto para que quase todo o filme fosse uma descoberta e pude então vê-lo sem qualquer tipo de preconceito.
Mysterious Skin conta a história de vida de dois jovens e das diferentes formas que os abusos sexuais de que foram vítimas em crianças afectaram a sua vida. Foi baseado num romance com o mesmo nome que, segundo os psicólogos, retrata bastante bem o comportamento de vítimas de abusos sexuais infantis.

Neil McCormick
(Joseph Gordon-Levitt) e Brian Lackey (Brady Corbet) dificilmente poderiam ser mais diferentes (os posters espelham isso mesmo) mas um triste acontecimento na sua infância marcou e uniu profundamente a vida de ambos. Aos 8 anos de idade Neil e Brian foram vítimas de abusos sexuais por parte do seu treinador de basebol, mas a reacção de cada um foi bastante distinta.
Para Neil, que tinha já despertado algumas tendências homossexuais, o referido abuso funcionou como que um despertar para a sua sexualidade e levou-o, mais tarde, a uma arriscada vida de prostituição infantil. Já Brian, entrou numa espécie de choque e apagou todo o acontecimento da sua memória refugiando-se na fantasia de raptos por extra-terrestres para justificar a branca que tem quando se tenta lembrar desses horas perdidas.
O filme contém sexo em abundância mas uma vez que este é obviamente uma parte importante da história, a sua utilização não me pareceu exagerada contrariamente ao que acontece nalguns filmes. Apesar de o sexo não ser excessivo, muitas das cenas são no entanto incomodativas e revoltantes mas isso deve-se, não tanto ao poder da imagem em si, mas mais à sugestão e à temática repugnante da pedofilia e prostituição infantil.

Mysterious Skin é um filme forte (mas não exageradamente) sobre uma temática (infelizmente) actual que 'mexe' com qualquer um. Dificilmente alguém ficará indiferente a esta história dramática.

13bly

P.S. - Não podia deixar de referir que Mysterious Skin captou a minha atenção ainda antes de começar - no menu - quando se ouvia um monólogo (que viria a ser o final do filme) sobre a música Samskeyti dos Sigur Rós.

Tuesday, March 30, 2010

Série Ípsilon VI - Valmont

Deixando para trás a faculdade e os exames, pude enfim retomar a actividade nesta rubrica dedicada aos DVDs da brilhante colecção da revista Ípsilon.
Para além de uma óbvia falta de tempo houve um outro motivo que me levou a demorar a retoma desta rubrica - o próximo filme a ver era um filme de época. Não sou apreciador de filmes de época, em geral aborrecem-me, e portanto andei uns tempos a adiar o visionamento de Valmont, filme de Miloš Forman datado de 1989 e adaptado do romance Les Liasons Dangereuses de 1782, escrito por Choderlos de Laclos. Valmont passa-se, então, numa França de Séc. XVIII mas, apesar disso, a minha heistação inicial acabou por se revelar infundada visto que o filme me agarrou e divertiu desde o início.
O Visconde de Valmont (Colin Firth) dá o nome ao filme apesar de, curiosamente, apenas assumir um papel de relevo quando o filme já vai quase a meio. Valmont é um sedutor cavaheiro da alta sociedade que é, simultâneamente o sonho e pesadelo de todas as mulheres. Este faz uma parelha perfeita com a provocante e manipuladora Marquesa de Merteuil (Annette Benning) e os dois irão aproveitar-se do amor platónico entre a pequena Cécile e o seu professor de harpa, o Cavaleiro de Danceny para mesquinhas vinganças pessoais. Assim, manipulando ora Cécile ora Danceny, Valmont e Merteuil serão as principais forças motrizes da história.

Apesar de as honras de "personagem principal" recaírem sobre Valmont (e portanto sobre Colin Firth), não podia deixar de dizer que achei Annette Benning sublime no papel de Merteuil. O ponto forte do personagem era claramente o seu sorriso e este raramente abandonava o rosto de Benning. Com o seu sorriso, Annette Benning conseguia ser sedutora e provocante mas ao mesmo tempo misteriosa e isso encaixa na perfeição em Merteuil.

Devo ainda referir que apesar do teor sexual do filme este é, na sua maioria, muito discreto. Carregado de insinuações e de momentos de tensão latente, só em duas ou três ocasiões é que se vê de facto alguma consumação dos desejos carnais dos personagens. Tiro o chapéu ao Sr. Forman por isso.


Apesar de não fazer de todo o meu género de filme, Valmont surpreendeu e agradou-me. Não se perde demasiado em futilidades e é bastante mais directo e divertido que grande parte dos filmes de época que já vi. Não será a obra prima de Miloš Forman (será difícil bater Amadeus ou Voando Sobre um Ninho de Cucos) mas é ainda um bom filme.

Em breve: mais filmes da série ípsilon.

13bly

Friday, February 26, 2010

Série Ípsilon V - Mon Oncle

O quinto filme desta série Ípsilon é Mon Oncle, um clássico de 1958 que é também primeiro filme a cores do cineasta e actor francês Jacques Tati. Como é seu hábito, Tati não se fica pela cadeira de realizador e ocupa o lugar de protagonista desempenhando o caricato Monsieur Hulot, o tio solteiro e algo despassarado do jovem Gerard (e daí o título do filme).

Mon Oncle passa-se numa França de pós-guerra em plena recuperação económica e, portanto, para a classe alta, muito fixada em ostentação de riqueza. Ao longo de Mon Oncle, Tati caricaturiza essa classe social criando, com pequenos e subtis pormenores uma sátira deliciosamente divertida.

A família Arpel acaba de se mudar para uma nova casa - arquitectura, mobília e decoração modernos, utensílios topo de gama, jardim impecável e ambiente quase esterilizado. Monsieur e Madame Arpel estão obcecados com a sua nova casa e vivem um quotidiano de eficiência e dedicação, respectivamente ao trabalho e à casa enquanto Gérard, o petiz da família, morre de tédio. Monsieur Hulot, é 'o tio excêntrico' - uma espécie de bóia de salvação para Gérard que o leva a passear sempre que pode.


Mon Oncle é como que uma comédia muda. Os diálogos são escassos e, quando os há, as vozes são algo abafadas pelo som ambiente, as expressões, por vezes são algo exageradas e os momentos humorísticos advém de situações caricatas. Os instantes os passados na cozinha quando M. Hulot apenas procura um copo são um dos muitos que, ao longo do filme, asseguram saudáveis e espontâneas risadas.
Para além do humor simples e subtil, mas ao mesmo tempo fortemente satírico, Mon Oncle conta com um visual fantástico - a fotografia é um deleite para os olhos. Desde as cenas com o trânsito a fluir até às sequências de M. Hulot a entrar ou sair de sua casa demonstram uma sensibilidade e preocupação enormes para com o aspecto do produto final fazendo da fotografia um dos pontos altos do filme.

Este foi até agora o filme sobre o qual menos sabia e portanto também não possuía qualquer expectativa ou "pré-conceito". Não tenho dúvidas de que isso acabou por beneficiar a minha opinião mas independentemente disso, Mon Oncle tem um estatudo de clássico e por bons motivos. Mais do que um filme, Jacques Tati criou uma obra de arte.

13bly

Saturday, February 20, 2010

Série Ípsilon IV - Le scaphandre et le papillon

Jean Dominique Bauby, editor da revista de moda francesa ELLE, sofre um AVC e como consequência fica quase totalmente paralisado. Os médicos dizem tratar-se de locked-in syndrome e afirmam ser uma condição muito rara. JeanDo (como lhe chamam os amigos) está então perfeitamente consciente, mas apenas consegue movimentar a sua pálpebra esquerda. Desta forma vê-se obrigado a comunicar com o piscar do olho e a adaptar-se a uma estranha forma de vida.


O título do filme é também o título do livro de memórias que Jean Dominique acabou por escrever na vida real ditando o seu conteúdo letra a letra a uma assistente. Para isso utilizou o método aconselhado pela sua terapeuta no qual alguém recita o alfabeto (devidamente ordenado por ordem de frequência de utilização das letras) ficando à responsabilidade de JeanDo piscar o olho quando se chegar à letra que pretende. Tanto o escafandro como a borboleta são metáforas e representam, respectivamente, a 'prisão' na qual JeanDo se sente encarcerado e a liberdade que, ao mesmo tempo, a sua imaginação lhe confere.

Com a ajuda das suas terapeutas, alguns amigos e da mãe dos seus filhos, JeanDo vai conseguindo pequenas conquistas e com elas, aos poucos, vai abandonando o seu compreensível sentimento de revolta e vontade de morrer. Curiosamente, talvez à semelhança do que o próprio personagem sentia, achei que a fase inicial do filme era mais 'pesada', indo-se aliviando aos poucos sem no entanto se chegar a tornar 'leve'.

Mesmo que a inspiradora e - tirando algumas pequenas imprecisões - verídica história de Jean Dominique Bauby pudesse pura e simplesmente ser ignorada, Le Scaphandre et le Papillon ainda seria um grande filme, mais não fosse pela sublime abordagem que Julian Schnabel (o realizador) adoptou.
Grande parte do filme é visto da perspectiva do próprio Jean Dominique, um 'truque' engenhoso apesar de todos os 'inconvenientes' que isso possa trazer para o espectador. A visão está frequentemente obstruída ou desfocada (principalmente ao acordar). Por vezes ele está posicionado contra a luz (dando origem a efeitos visualmente espantosos) e noutras situações o seu campo de visão não alcança o que ele pretendia, deixando assim parte da acção 'fora de cena'.

Le Scaphandre et le Papillon tem ainda o condão de tratar um tema algo delicado sem se tornar excessivamente deprimente, muito graças às constantes tiradas humorísticas de JeanDo. É um filme fascinante graças à forma original de como a história é contada, permite ao espectador sentir parte da impotência do personagem principal. É para mim, até agora, o melhor filme desta colecção. Carimbo-o de obrigatório.

Em breve - Mon Oncle e Valmont

13bly

Monday, February 15, 2010

Série Ípsilon III - About Schmidt

Há qualquer coisa em Alexander Payne, o realizador de About Schmidt, que não me convence. Já quando, há uns anos, vi o Sideways senti que me devia ter escapado algo pois não conseguia encontrar no filme motivos para a aclamação de que foi alvo. Com About Schmidt a sensação foi algo semelhante mas, apesar de tudo, consegui gostar mais deste.


Warren E. Schmidt acabou de se reformar e está a adaptar-se a uma nova vida quando uma outra mudança súbita lhe entra porta adentro - a morte da esposa. Ambos estes acontecimentos ocorrem a poucas semanas do casamento da sua filha com um homem que Schmidt não gosta. São motivos mais do que suficientes para levar qualquer um à loucura.
Seria impossível falar neste filme sem referir a excelente prestação (mais uma) de Jack Nicholson que parece fadado para desempenhar personagens com maior ou menor grau de desequilíbrio mental.

Não sei porquê esperava mais momentos humorísticos e menor ênfase no drama quando o que aconteceu é precisamente o contrário. É certo que há elementos de comédia (algo disseminada e negra) aqui e ali, mas o fio condutor do filme é claramente o drama, é isso que move Warren Schmidt a fazer uma espécie de viagem de auto-conhecimento dias antes do casamento da filha e foi precisamente a intensidade dramática do filme que mais me surpreendeu, principalmente nas cenas finais.

Apesar de não ter achado About Schmidt um filme particularmente fascinante, acabou por surpreender-me pela positiva e, não sendo um título que valoriza a colecção por aí além, também não se pode dizer que se encontra desajustado do seu contexto.

Ainda esta semana (espero eu): Le scaphandre et le papillon e Mon Oncle

13bly

Tuesday, February 2, 2010

Nos últimos dias os correios não páram

Agora só preciso de tempo. Será que dá para encomendar por correio?

13bly

Saturday, January 30, 2010

Série Ípsilon II - Control

aqui referi a excelente selecção de DVDs que constitui a segunda série de DVDs do Público/Ípsilon. Uma vez que, de toda a colecção apenas havia visto o Juno, decidi tentar acompanhar os lançamentos e fazer uma pequena crítica semanal a cada um dos filmes.

Passando à frente Juno, cuja crítica pode ser encontrada aqui, esta semana é a vez de Control.

Control é um bio-pic de Ian Curtis, o icónico vocalista dos Joy Division. A realização coube a Anton Corbijn (que não é de todo um estranho nas lides musicais) e o argumento foi adaptado de "Touching from a Distance", livro escrito pela própria viúva de Curtis (que também esteve envolvida na produção).

Se há uma coisa que, para além da música, se destaca em Control, eu diria que é a estética. O preto e branco parecia quase inevitável para um filme sobre os Joy Division, mas fiquei largamente surpreendido com a 'limpeza' das imagens. Cada plano é muito preciso e a imagem bem definida... não sei bem explicar, mas acredito que quem vir o filme irá perceber o que quero dizer. Talvez pelo realizador ser também fotógrafo, todo o filme se assemelhe a uma bem exposta fotografia a preto e branco.

Outra coisa que achei interessante foi que, ao longo do filme, houve um notável cuidado em manter um equilíbrio entre a vida pessoal e amorosa de Curtis, a sua carreira musical e respectivo processo criativo e ainda, a sua luta interior contra a doença que o assombrava. Isto é nem sempre é conseguido em filmes biográficos que, muitas vezes, se centram num único aspecto da personalidade que pretendem retratar.

Não me considero um fã de Joy Division (o filme modificou um pouco isso). Sempre foi uma daquelas bandas aclamadas com a qual não conseguia estabelecer grande ligação e por isso mesmo nunca me interessei muito por eles e pela sua história.
Assim, quase tudo neste filme, com excepção do desfecho trágico, foi novidade para mim e fiquei surpreendido com a simplicidade da vida de Curtis. Sim, ele tem aquela aura de génio atormentado (e era mesmo), mas não mostrava aqueles grandes excessos que estamos habituados a ver em estrelas musicais. É certo que a carreira musical dos Joy Division acabou precocemente e antes ainda do reconhecimento global (Curtis suicidou-se antes da tour Norte Americana), no entanto é quase estranha a 'banalidade' da sua vida.

Ironicamente, como acontece quase sempre, o suicídio de Curtis imortalizou-o e criou todo um mito à volta dos Joy Division, que com "Love Will Tear Us Apart" (publicada postumamente) atingiram o seu maior sucesso.

Para a semana: About Schmidt
13bly

Tuesday, January 19, 2010

Cinema ao alcance de todos

série ípsilon II
Começou a ser distribuída na passada Sexta-Feira a segunda remessa de DVDs do Público/Ípsilon. Pela módica quantia de €1,95 qualquer cinéfilo consegue, semanalmente, enriquecer a sua colecção com esta selecção de filmes de culto.
O primeiro lançamento foi Juno, filme sensação de 2008, e o escolhido para a próxima semana é Control, o filme baseado na vida do carismático vocalista dos Joy Division, Ian Curtis.

Esta selecção é ainda mais forte e mais numerosa do que a da primeira série e dela constam filmes como O Escafandro e a Borboleta ou 24 Hour Party People (que já estão na minha lista de "filmes a ver" há muito tempo) e realizadores tão sonantes e consagrados quanto Milos Forman, Roman Polanski ou Lars Von Trier.

Estas promoções do Público são iniciativas louváveis que, a um preço convidativo, levam a cultura a casa das pessoas. Os cinéfilos agradecem!

13bly

Thursday, January 31, 2008

Juno

Juno é, para mim, a prova viva de que a cena "alternativa" e "indie" (o que quer que isso signifique nos dias de hoje) é actualmente mais "mainstream" do que outra coisa qualquer. Cada vez menos faz sentido, na minha opinião, essa categorização na maior parte dos projectos que dizem sê-lo.

Colocando essa questão de parte, Juno é um bom filme, é divertido, interessante, actual e tudo isso. Não acho que seja, no entanto, o filme que a crítica faz crer que seja.

Primeiro discordo um pouco da excessiva categorização do filme como "comédia". Sim, o filme tem algumas cenas engraçadas e os diálogos têm piada, mas na minha opinião o drama tem uma importância maior nesta história (mas se calhar "comédia" vende melhor).

Juno conta a história de Juno, uma adolescente "diferente" (que é um pouco o estereótipo do que actualmente se define como "indie") que, ao engravidar toma a decisão de dar o bebé para adopção ao invés de recorrer ao esperado aborto.
Claro que nem tudo corre como o previsto e alguns acontecimentos parecem abalar o acordo que foi inicialmente feito com o casal adoptivo. Pelo meio e a juntar aos problemas da gravidez surgem também alguns problemas típicos da adolescência.

A jovem Ellen Page esteve muito bem no papel da personagem única que é Juno. A sua prestação valeu-lhe a nomeação para o Oscar de melhor actriz principal e a essa nomeação juntaram-se as de Melhor Filme, Melhor Realização (Jason Reitman) e Melhor Argumento Original (Diablo Cody) fazendo deste filme uma das maiores surpresas da cerimónia deste ano.
Não me parece, porém, que Juno vá ser galardoado com algum destes prémios. A ver vamos.

Não se pode falar de Juno sem referir a banda sonora que é de facto muito boa e inclui muitos dos nomes de top do universo "indie/alternativo". De Belle and Sebastian, passando por The Kinks, Sonic Youth, Cat Power, até Velvet Underground... Todas as músicas encaixam perfeitamente na mood do filme.

Juno é tudo o que se esperaria de um filme "indie" e é precisamente esse o ponto mais me deixa de pé atrás.


13bly