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Wednesday, August 4, 2010

Como?! Importa-se de repetir? #4


Sou só eu que acho ridículo que o Avatar vá passar novamente pelos cinemas americanos rebaptizado de Avatar: Special Edition com uma impressionante duração acrescida de 8 minutos? Mesmo pondo de parte o meu 'ódiozinho de estimação' pelo filme e pelo seu realizador, acho que o Sr. James Cameron está a esticar demasiado a corda.


Não compreendo porque é que não incluíram esses 8 minutos de cenas extra (que não devem acrescentar grande coisa à experiência) no DVD/Blu-Ray do filme, ou melhor, compreendo talvez bem demais: 'extorquir' (com aspas porque só paga quem quer, apesar de continuar a achar desonesto) mais uns milhares de dólares aos fãs do filme. 
"Blá blá blá blá e a experiência 3D e cucos e periquitos..."

Tretas! Isto é puro incentivo ao consumismo com os olhos postos no lucro fácil. É fazer render o peixe ao máximo nem que tenham que lhe deitar perfume para disfarçar o mau cheiro. Dada a mensagem do filme, não deixa de ser irónico que a maior preocupação de James Cameron seja o verdinho das notas e não o das florestas.

13bly

Sunday, April 11, 2010

"From the creators of The Wire!"

O título deste post deveria, por si só, criar entusiasmo em qualquer pessoa que tenha visto a referida série (apenas posso censurar quem não a viu). Depois do tremendo sucesso de The Wire e da mini-série Generation Kill, David Simon volta ao pequeno ecrã com Treme - um drama sobre a vida em Nova Orleães três meses após a devastação do Furacão Katrina.
Treme adopta o seu nome (algo estranho) de um dos bairros tradicionais de Nova Orleães que deverá servir de pano de fundo para grande parte desta série.

Nova Orleães sempre teve uma dinâmica sócio-cultural muito própria e o Katrina repercutiu-se também nesse sector. Espero que David Simon consiga retratar o ambiente fascinante da cidade-berço do jazz com o mesmo realismo e impacto com que caracterizou a vida nas ruas de Baltimore - o primeiro episódio foi um bom indicador.

A série estreou ontem nos EUA com um excelente episódio-piloto de 80 minutos. Treme promete ser um exemplo brilhante daquilo a que David Simon já nos habituou, histórias complexas de relacionamentos humanos e institucionais, no entanto uma história deste tipo demora tempo a ser montada. É importante que os personagens sejam credíveis e que se estabeleça uma relação com o espectador. É por isso que, para alguns, o primeiro episódio de Treme será um pouco "lento" - o mesmo aconteceu com The Wire - mas, 'conhecendo' David Simon, e apesar de Treme ser drasticamente diferente de The Wire, as coisas deverão ganhar outro ritmo dentro de um ou dois episódios.



Se há coisa fascinante em Nova Orleães é a sua música, aliás, quase se poderá dizer que Nova Orleães é a música. Esta terá portanto um papel vital na história. Quase todos os personagens têm alguma relação com a música e o primeiro episódio está recheado de música deliciosa tanto a tocar ao fundo como em grande plano. Prevê-se que o mesmo aconteça com os seguintes e, na verdade, uma história sobre Nova Orleães não poderia ser contada de outra forma.

13bly

P.S. - Ainda sobre os efeitos do Katrina em Nova Orleães, aconselho o interessante documentário "No Cross, No Crown" sobre o impacto que o furacão teve na cena musical da cidade e sobre a importância que a mesma teve e ainda tem na reconstrução da cidade.

Friday, May 29, 2009

つみきのいえ

La Maison en Petits Cubes é uma das provas que as aparências iludem. Apesar o seu título francês e dos seus desenhos/animação se aproximarem mais da estética europeia, esta curta metragem animada, vencedora do Oscar para essa categoria em 2009, é de origem japonesa (ao que parece o Japão este ano esteve em alta nos Oscars).

Todos os 12 minutos deste filme são de uma sensibilidade incrível. Fico sempre dividido quando 'tenho' de falar sobre uma coisa assim. Se por um lado sinto uma enorme vontade de escrever e exaltar essa 'coisa', por outro sinto que, com as minhas palavras, nunca consigo fazer justiça. Resumindo, eu diria que:

La Maison en Petits Cubes é como um poema na forma de animação.

E chega de conversa:


Senhores Kunio Katô e Kenji Kondô, tiro-vos o chapéu!

13bly

Thursday, April 2, 2009

Mundo Real vs Desenhos Animados


(cliquem para ver em grande, tem graça a sério que sim)


13bly

Friday, January 9, 2009

Porque em Famalicão também neva...

... e esta música lembra o Inverno.


I was following the pack
all swallowed in their coats
with scarves of red tied ’round their throats
to keep their little heads
from fallin’ in the snow
And I turned ’round and there you go
And, Michael, you would fall
and turn the white snow red as strawberries
in the summertime...

Música:
Fleet Foxes - White Winter Hymnal
Fotografia:
João Ruivo (Eu)

13bly

Wednesday, November 26, 2008

Consciencialização

Depois do pequeno interlúdio retomo, em parte, o tema do post anterior.

O movimento apresentado naquele vídeo pretende consciencializar jovens dos problemas actuais e da existência de soluções que podem marcar a diferença, se não para esta, para gerações futuras. Apesar de o movimento Generation WE ser americano ele deveria existir em todo mundo pois, dada a escassez de recursos e a crescente poluição, é cada vez é mais importante cuidar do ambiente e olhar à sustentabilidade do mundo onde que vivemos.

Felizmente existem pessoas atentas a esses problemas e alguns dedicam-se a alerta-los. Para além do já mais do que famoso (e aparentemente recheado de incorrecções científicas) “Verdade inconveniente” de Al Gore, existem outros filmes ou documentários que abordam esses temas e que, ao contrário deste, são isentos de "polítiquices", interesses económicos ou imposições de outras naturezas.

Desses destaca-se a trilogia Qatsi (que significa "vida"). Koyaanisqatsi, Powaqqatsi e Naqoyqatsi (não se preocupem se não conseguirem pronunciar os nomes, é normal) são os três filmes que a constituem .

Esta trilogia tem a particularidade de ser composta de imagens simbólicas e representativas do estado do nosso mundo acompanhadas unicamente de música.
Nada mais. Música e imagens.
Os filmes em si são apenas uma experiência proporcionada ao espectador, cabendo-lhe a este tirar a conclusões (sejam elas de natureza política, ambiental ou económica) que lhe pareçam adequadas. Os três filmes foram realizados por Godfrey Reggio e as respectivas bandas sonoras foram compostas por Philip Glass.

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Trailer__
Koyaanisqatsi é, aparentemente uma palavra de origem Hopi (uma tribo azteca) que significa algo do tipo "vida em desiquilíbrio".
O filme mostra a forma como o Homem interage com a Natureza e com a Tecnologia e o modo como cada um destes afecta o outro causando o desiquilíbrio referido no título.
Francis Ford Coppola foi o produtor executivo deste projecto de 6 anos e este é consensualmente considerado como o melhor dos três;
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Trailer__
Powaqqatsi significa, no mesmo dialecto, "vida em transformação" e foca as dificuldades e conflitos gerados em países menos desenvolvidos e mais agarrados à sua cultura com a transição do estilo de vida tradicional para o que vai sendo imposto com a industrialização crescente.
Apadrinhado por George Lucas, esta "sequela" não foi tão bem recebida pelo público e pela crítica como o seu antecessor;

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Trailer__
Naqoyqatsi é o título do terceiro filme desta trilogia e significa "vida como guerra" e foi o que causou mais polémica pela utilização de imagens de arquivo e tecnologia 3D ao invés das já habituais recolha de imagens no local. Este filme retrata a passagem da sociedade de um ambiente natural para um industrial e totalmente baseado na tecnologia.
Steven Soderbergh foi desta vez o produtor executivo de serviço.
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Koyaanisqatsi causou um grande impacto quando foi lançado e inspirou muitos filme e campanhas publicitárias devido, não só ao modo como foi feito, mas como à mensagem que pretende passar.

Do cinematógrafo de Koyaanisqatsi, Ron Fricke surge Baraka ("benção" em várias línguas). Este segue o mesmo estilo e volta a expor ao espectador o triângulo Homem, Tecnologia e Natureza sem qualquer tipo de comentário adicional que não as sensações provocadas pela combinação imagens e som. Para além dessa visão, Baraka procura também mostrar uma certa unificação do comportamento humano, pois encontram-se comportamentos similares nas várias culturas do mundo.
__Trailer
Estará pronta em 2009 Samsara ("existência cíclica" em sanscrito), a sequela de Baraka.
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Talvez não sejam os filmes mais indicados para chegar às massas. Admito que não são para qualquer um pois tornam-se um pouco difíceis de ver de uma assentada (eu próprio ainda só vi partes do Baraka e do Koyaanisqatsi). Por outro lado, para quem demonstrar algum interesse por estes assuntos, qualquer um destes filmes será potencialmente uma experiência que poderá mudar a sua forma de ver o mundo.
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Mudando ligeiramente de registo, mas mantendo a temática, a Pixar presenteou-nos este ano com a sua obra prima (ideal para quem não tiver tanto tempo a investir nos filmes anteriores ou não quiser levar "a coisa" tão a sério). Falo obviamente de Wall-E.


"Quem acha que Wall-E é um filme infantil desengane-se."
Citações deste género têm sido frequentes nos últimos anos, com filmes de animação como por exemplo Shrek, mas Wall-E leva essa frase a outro nível. As crianças podem efectivamente achar piada ao pequeno robô trapalhão, mas só um adulto ou uma mente mais madura compreenderá a essência do filme.

Quase sem recorrer a diálogos, a aventura deste pequeno robô ensina a um adulto em pouco mais de hora e meia muito mais do que ele podia esperar aprender. Desde poluição e aquecimento global, a relacionamentos amorosos e sentimentos de solidão, passando por uma profunda crítica à nossa sociedade consumista e ao seu estado de relaxação e adormecimento, o pequeno Wall-E passa a mensagem para a audiência como ninguém.

É curioso ter de ser um pequeno robô a abrir os olhos à humanidade e a ensinar-nos algumas lições acerca de nós próprios.
Faz-nos falta um Wall-E.

13bly