Patrick Watson é um músico excepcional de uma classe rara! Não digo isto de ânimo leve, afirmo-o com a convicção de quem é desarmado a cada passo que ele dá na sua carreira - cada álbum, cada concerto, cada uma das suas tão características e genuínas risadas.
Depois do
brilhante concerto a que assisti em 2009 - então integrado no
Pop Deluxe e também no Sá da Bandeira - pensei que já nada me surpreenderia. Uma vez que desde então a banda não tinha editado material novo, ao comprar bilhete para este espectáculo esperava um concerto semelhante ao que já havia assistido. Estava enganado, oh se estava enganado!
Patrick Watson rendeu-me uma vez mais com uma pinta do caraças.

A noite abriu com um tema novo naquele familiar tom intimista que
Patrick Watson imprime ao seu piano mas que foi crescendo lentamente para dar espaço aos
Wooden Arms - a banda que acompanha o grande protagonista da noite já há uns bons dois ou três anos. Gostei da nova música, é sempre agradável ouvir coisas novas em 'primeira mão' mas foi só quando, ao segundo tema, sobe para o palco um quarteto de cordas que me apercebi que este não iria ser de forma alguma o 'mesmo concerto' ao qual tinha assistido em 2009. Neste espectáculo a variedade foi ainda maior e a sensação de surpresa também.

Ora, por experiência própria já sei que num concerto de
Patrick Watson de 'pouco serve' conhecer bem o seu trabalho em estúdio - ao vivo tudo soa de outra forma e nem o alinhamento é fácil de prever. As surpresas foram muitas ao longo da noite e a sensação de descoberta foi também uma constante tanto nas músicas novas (que estão alegadamente ainda em fase de testes apesar de já soarem muito bem) como também nas já conhecidas que, na sua maioria, tiveram direito a uma roupagem diferente das respectivas versões de estúdio.
É uma tarefa inglória tentar fazer destaques num espectáculo cujo nível esteve tão elevado de início a fim mas, assim de repente, penso que vale a pena referir uma incrível versão acústica de
Big Bird in a Small Cage com toda a banda de volta de um único microfone; a sempre arrepiante
The Great Escape e uma versão totalmente vocal de
Shame. No meio de tudo isto houve ainda tempo para para uma música improvisada na hora (que não ficou nada mal) e para a belíssima
To Build a Home - tema que
Patrick Watson canta para os
Cinematic Orchestra.

Enfim, foi uma noite praticamente perfeita onde não faltou mesmo (quase) nada: das maravilhosas melodias
folk aos aprimorados condimentos
country; dos momentos de intimidade arrepiante aos divertidos momentos de festa com toda a banda de volta de um único microfone; das estonteantes lições de rock progressivo aos divinais recitais de música clássica... uma noite memorável com a constante simpatia e boa disposição de
Patrick Watson a ser uma constante em palco.
Patrick Watson subiu ao palco e conquistou o público com a sua música, simpatia e humildade e este recompensou-o com abundantes aplausos. A noite de 23 de Abril foi, se tal fosse preciso, mais uma indiscutível prova do enorme talento de
Patrick Watson - sem qualquer dúvida um dos melhores artistas dos nossos tempos.
13bly
* desculpem lá a referência tão óbvia a Close to Paradise mas o concerto foi mesmo divinal.